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ÍNDICE PROJETO
MENÇÃO HONROSA
A PRAÇA DO MAR DE SINES
Universidade de Évora

ESPAÇO PÚBLICO GERADO PELOS SEUS LIMITES
O crescimento desequilibrado entre o núcleo urbano de Sines e o seu complexo industrial e portuário originaram o afastamento entre a cidade e a sua frente mar, um “virar as costas” ao meio que, desde a sua génese, foi o seu principal recurso de fomentação.
Com a implementação das infraestruturas fabris, a morfologia daquele território foi amplamente adulterada. A frente mar, que ao longo da história foi sinuosamente desenhada pelo tempo, sofreu uma transformação completa, originando não só a rutura e parcialização do território sineense, como a incapacidade de atração do mesmo.
A Praça do Mar de Sines manifesta-se assim, através de uma revisão e reflexão críticas ao rossio proposto em “Sistematizar o Limite”, como resposta às problemáticas anteriormente referidas.
Partindo da dinâmica que o mar compromete a qualquer espaço com o qual dialoga, a intervenção pretende fazer o acerto das cotas altimétricas talhadas na fisionomia da Praça, permitindo a sua utilização como porta marítima da cidade de Sines. Não se trata de fazer um novo plano, mas sim o adicionar uma pegada na redefinição de uma cultura.
Pretende-se que a Praça estabeleça com o mar uma relação entre dois elementos antagónicos que, quando a água a invade, esta ganha força e caráter próprios e, aquando em maré baixa, as suas formas orgânicas são reveladas, evidenciando assim o gesto arquitetónico adotado. Esta ação permite que a água assuma as propriedades da Praça, quer da sua formalização como materialização, não se impondo como forma própria, mas assumindo formas, tornando-se num poder vital de unificação entre o natural e o artificial. Aqui a água atua como gerador de espaços, passando de matéria natural a material.
A Praça do Mar é, desta forma, fruto da relação íntima com os seus limites. Coroada pela imensidão do céu, vê a sua paisagem ser ampliada, dissolvendo-se na natureza. É um lugar que vence desníveis, une pontos, segrega funções, acentua marcos e, acima de tudo, dá escala a espaços que suportam a vivência humana, possibilitando a deslocação, a paragem, a permanência e o diálogo.