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Guimarães insere-se na região do Vale do Ave, mais especificamente do Médio Ave. Esta região caracteriza-se por ser um território difuso, onde a presença contínua do espaço vazio e a implantação dispersa ressaltam à primeira vista. É uma região que inclui dois tipos de ocupação: o denso, que se localiza nos centros dos municípios, e o difuso , que se localiza entre cidades. A apropriação do espaço pelo homem, influenciada por diversos fatores, deixa marcas no território, sejam elas físicas ou imateriais. Este conjunto de ações e relações oferece ao lugar diferentes identidades e usos, construindo a memória coletiva de quem o habita. Acarreta consigo agentes importantes para a interpretação do lugar, através dos sentidos.
Guimarães insere-se na região do Vale do Ave, mais especificamente do Médio Ave. Esta região caracteriza-se por ser um território difuso, onde a presença contínua do espaço vazio e a implantação dispersa ressaltam à primeira vista. É uma região que inclui dois tipos de ocupação: o denso, que se localiza nos centros dos municípios, e o difuso , que se localiza entre cidades. A apropriação do espaço pelo homem, influenciada por diversos fatores, deixa marcas no território, sejam elas físicas ou imateriais. Este conjunto de ações e relações oferece ao lugar diferentes identidades e usos, construindo a memória coletiva de quem o habita. Acarreta consigo agentes importantes para a interpretação do lugar, através dos sentidos.

Análise sensorial: os sentidos desenham o Lugar. Muitos são os sentidos que habitam o centro urbano e a Veiga de Creixomil. Ao analisá-los e interpretá-los, estamos a criar uma ideia do lugar a partir da sua perceção pessoal. Aqui, o corpo atua no território como um sensor capaz de captar cheiros, texturas, sons e paladares.
Análise sensorial: os sentidos desenham o Lugar. Muitos são os sentidos que habitam o centro urbano e a Veiga de Creixomil. Ao analisá-los e interpretá-los, estamos a criar uma ideia do lugar a partir da sua perceção pessoal. Aqui, o corpo atua no território como um sensor capaz de captar cheiros, texturas, sons e paladares.

Planta do Percurso. Com uma extensão de 5614 metros, traduzida em 3649 passos, o Percurso tem início no Largo Condessa do Juncal, à cota 190 metros, marcado pela sua atmosfera serena e a linha de árvores definidora do seu limite, atinge a cota mínima de 142 metros em pleno interior da Veiga de Creixomil, e termina numa paragem de autocarro, à cota 148 metros, oferecendo ao caminhante a alternativa de voltar à cidade. Articula pontos importantes na perceção sensorial do território descobertos durante toda a análise, e cruza lugares que num primeiro contacto passavam despercebidos ao sistema sensorial do homem, mas na realidade estão imbuídos de grande valor sensitivo.
Planta do Percurso. Com uma extensão de 5614 metros, traduzida em 3649 passos, o Percurso tem início no Largo Condessa do Juncal, à cota 190 metros, marcado pela sua atmosfera serena e a linha de árvores definidora do seu limite, atinge a cota mínima de 142 metros em pleno interior da Veiga de Creixomil, e termina numa paragem de autocarro, à cota 148 metros, oferecendo ao caminhante a alternativa de voltar à cidade. Articula pontos importantes na perceção sensorial do território descobertos durante toda a análise, e cruza lugares que num primeiro contacto passavam despercebidos ao sistema sensorial do homem, mas na realidade estão imbuídos de grande valor sensitivo.

Variabilidade transversal do Percurso. Da mesma forma que o território sofre alterações cíclicas constantes, devido às estações do ano, o percurso acompanha essa transformação, resultando em diferentes sensações de dia para dia. Esta sequência de secções permite perceber a variabilidade que o percurso adquire a nível sensorial, da sua composição e dos seus limites físicos. Assim como ajuda a compreender a sua relação de proximidade com outros elementos como a linha de água, massas arbóreas, vias e edificado.
Variabilidade transversal do Percurso. Da mesma forma que o território sofre alterações cíclicas constantes, devido às estações do ano, o percurso acompanha essa transformação, resultando em diferentes sensações de dia para dia. Esta sequência de secções permite perceber a variabilidade que o percurso adquire a nível sensorial, da sua composição e dos seus limites físicos. Assim como ajuda a compreender a sua relação de proximidade com outros elementos como a linha de água, massas arbóreas, vias e edificado.

O percurso encaminha-nos a lugares caracterizadores do território de Guimarães, onde é possível reconhecer e interpretar, através do sistema sensorial, a essência do lugar. Aliado ao desenho do percurso, surge um conjunto de intervenções pontuais onde a principal premissa se prende à vontade de amplificar a informação sensorial irradiada nos espaços em que se inserem. A estratégia passa pela identificação de pontos específicos, não que se encontrem descaracterizados e desprovidos de valor, mas imbuídos de significado e características passíveis de serem exploradas e trabalhadas no sentido dessa amplificação, contribuindo, assim, para uma perceção mais intensificada dos estímulos que habitam esses lugares e respetiva envolvente.
O percurso encaminha-nos a lugares caracterizadores do território de Guimarães, onde é possível reconhecer e interpretar, através do sistema sensorial, a essência do lugar. Aliado ao desenho do percurso, surge um conjunto de intervenções pontuais onde a principal premissa se prende à vontade de amplificar a informação sensorial irradiada nos espaços em que se inserem. A estratégia passa pela identificação de pontos específicos, não que se encontrem descaracterizados e desprovidos de valor, mas imbuídos de significado e características passíveis de serem exploradas e trabalhadas no sentido dessa amplificação, contribuindo, assim, para uma perceção mais intensificada dos estímulos que habitam esses lugares e respetiva envolvente.

Dotado de uma forma alusiva ao gramofone, funciona como um periscópio , não em termos visuais, mas auditivos. Se o túnel nos oferece o silêncio, o periscópio proporciona o ruído, provocando um desequilíbrio intencional na perceção da dimensão sonora do lugar. O periscópio tem o papel de captar, amplificar e conduzir até à cota do percurso, o ruído dos motores dos veículos que circulam na via rápida. O Tanque, composto por um tanque e um pomar, implanta-se numa parcela desprovida de atividade agrícola, e pretende ser um lugar onde se estabeleça uma forte relação com a água e com o alimento. Estes dois momentos, ainda que incorporem dois sentidos, fazem parte de um todo, impossibilitando uma leitura autónoma de ambos.
Dotado de uma forma alusiva ao gramofone, funciona como um periscópio , não em termos visuais, mas auditivos. Se o túnel nos oferece o silêncio, o periscópio proporciona o ruído, provocando um desequilíbrio intencional na perceção da dimensão sonora do lugar. O periscópio tem o papel de captar, amplificar e conduzir até à cota do percurso, o ruído dos motores dos veículos que circulam na via rápida. O Tanque, composto por um tanque e um pomar, implanta-se numa parcela desprovida de atividade agrícola, e pretende ser um lugar onde se estabeleça uma forte relação com a água e com o alimento. Estes dois momentos, ainda que incorporem dois sentidos, fazem parte de um todo, impossibilitando uma leitura autónoma de ambos.

O Labirinto pretende ser um espaço capaz de estimular o olfato e a capacidade de orientação do cego, evocando a ação de perder-se. Tomou-se como mote para o desenho, a ideia de fragmentação das parcelas agrícolas vizinhas. Assim, e adotando uma opção interventiva que visa a união entre o existente e o proposto, dá-se continuidade à parcela de milho existente a oeste, fazendo das suas características, projeto. O Açude, localizado no interior da Veiga, tem como principal objetivo proporcionar um momento de plena comunhão entre o corpo e a matéria, entre o homem e a natureza. Não pretende ser um espaço apenas de passagem. Antes, constitui um lugar de paragem, de contemplação e absorção da paisagem e dos estímulos intrínsecos a ela.
O Labirinto pretende ser um espaço capaz de estimular o olfato e a capacidade de orientação do cego, evocando a ação de perder-se. Tomou-se como mote para o desenho, a ideia de fragmentação das parcelas agrícolas vizinhas. Assim, e adotando uma opção interventiva que visa a união entre o existente e o proposto, dá-se continuidade à parcela de milho existente a oeste, fazendo das suas características, projeto. O Açude, localizado no interior da Veiga, tem como principal objetivo proporcionar um momento de plena comunhão entre o corpo e a matéria, entre o homem e a natureza. Não pretende ser um espaço apenas de passagem. Antes, constitui um lugar de paragem, de contemplação e absorção da paisagem e dos estímulos intrínsecos a ela.

O Bosque implanta-se na estrutura arbórea de grande envergadura, com cerca de 35000 m2 de área, atingindo os 20 metros de altura, localizada na Veiga de Creixomil. O desenho desta estrutura apoia-se, fundamentalmente, na própria organização do bosque. Assim, são criadas três plataformas circulares de diferentes diâmetros, articuladas por um passadiço de 2,50m de largura, que se adapta à disposição dos inúmeros troncos existentes. A proposta nasce, portanto, da intenção de oferecer ao caminhante, a oportunidade de conhecer, vivenciar e absorver a singularidade deste lugar, atravessando-o. Para isso, foi desenhada uma estrutura percorrível, elevada do chão, que permeia o bosque. É a natureza deste espaço que define o caráter programático da intervenção.
O Bosque implanta-se na estrutura arbórea de grande envergadura, com cerca de 35000 m2 de área, atingindo os 20 metros de altura, localizada na Veiga de Creixomil. O desenho desta estrutura apoia-se, fundamentalmente, na própria organização do bosque. Assim, são criadas três plataformas circulares de diferentes diâmetros, articuladas por um passadiço de 2,50m de largura, que se adapta à disposição dos inúmeros troncos existentes. A proposta nasce, portanto, da intenção de oferecer ao caminhante, a oportunidade de conhecer, vivenciar e absorver a singularidade deste lugar, atravessando-o. Para isso, foi desenhada uma estrutura percorrível, elevada do chão, que permeia o bosque. É a natureza deste espaço que define o caráter programático da intervenção.




ÍNDICE PROJETO
 
HABITAR SEM VER
Universidade do Minho

A amplificação sensorial ao longo de um Percurso entre o Largo Condessa do Juncal e a Veiga de Creixomil
A contínua vontade de descobrir a paisagem, através dos sentidos, atribui uma dinâmica e vivência ao território, contribuindo para uma linguagem e identidade do lugar.
Constrói uma narrativa, no tempo e no espaço, onde os principais intervenientes são os sentidos, o caminhante e o lugar.

“Habitar sem ver” estuda as questões relacionadas com os sentidos, com a paisagem, e com o habitar, sem ver. É uma reflexão que cruza estes três conceitos, distanciando-se da visão como elemento fulcral. Esta interseção dá-se através do desenho de um percurso na cidade de Guimarães que faz a ligação entre duas formas de ocupação: uma zona urbana bastante consolidada – o centro da cidade – e uma zona de aptidão agrícola muito peculiar – a Veiga de Creixomil. Cheiros que surgem da mais ínfima e recôndita paragem, texturas que nos levam a outro imaginário, sons que chegam até nós num ápice e paladares que nos transportam ao passado, configuram a atmosfera do lugar. É através da procura destes impulsos que o desenho do percurso vai surgindo, moldando-se ao preexistente. Pretende guiar o caminhante ao encontro de pontos-chave com elevada carga de significado, essenciais ao entendimento da identidade do território. Mais do que uma linha que articula vários pontos, o percurso constitui um elemento gerador de sensações a quem o percorre, moldando-se ao preexistente.
Aliado ao seu desenho, surge um conjunto de intervenções onde a principal premissa se prende à vontade de amplificar a informação sensorial irradiada nos espaços em que se inserem. A estratégia passa pela identificação de pontos específicos, não que se encontrem descaracterizados e desprovidos de valor, mas imbuídos de significado e características passíveis de serem exploradas e trabalhadas no sentido dessa amplificação, contribuindo para uma perceção mais intensificada dos estímulos que habitam esses lugares.
Cada uma destas intervenções gera formas diferentes de dialogar com o lugar, são partes de um todo, em que a ligação entre elas é permitida através do percurso, elemento unificador destes espaços, e permite uma articulação entre o proposto e o existente.
Só assim descobrimos o lugar que se vê, sem ver.