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DOURO IGNOTO | Procurando um conhecimento local muito específico, foi em longas viagens e conversas que se desenhou a Itinerância do Douro Ignoto, uma nova forma de dar a ver um antigo território. Colmatar a percepção do território do Alto Douro Vinhateiro, dominada pela expressão plástica da paisagem vitícola, com outras realidades inerentes à construção desta terra e à luta do homem para se mover neste duro território. A construção da paisagem cultural do Douro fez-se de encontro ao que a terra concedeu, contra ela e com ela, os homens foram interpretando os seus ciclos e integrando as suas fatalidades. Nos seus altos lugares, é pontuado pelo respeito e devoção dos seus povos.
DOURO IGNOTO | Procurando um conhecimento local muito específico, foi em longas viagens e conversas que se desenhou a Itinerância do Douro Ignoto, uma nova forma de dar a ver um antigo território. Colmatar a percepção do território do Alto Douro Vinhateiro, dominada pela expressão plástica da paisagem vitícola, com outras realidades inerentes à construção desta terra e à luta do homem para se mover neste duro território. A construção da paisagem cultural do Douro fez-se de encontro ao que a terra concedeu, contra ela e com ela, os homens foram interpretando os seus ciclos e integrando as suas fatalidades. Nos seus altos lugares, é pontuado pelo respeito e devoção dos seus povos.

SÃO SALVADOR DO MUNDO | É um dos melhores lugares para falar da luta do homem com a inóspita paisagem e também da sua devoção. Para além do santuário, neste lugar existiu um fenómeno que marcava o limite de navegabilidade do rio Douro até ao século XVIII, o célebre Cachão da Valeira. Por isto, para montante, poucas eram as explorações vitícolas. Principalmente pela desmedida dificuldade do transporte dos vinhos. Apesar de terem existido tentativas desde 1530, só em 1780 se deu o início da obra de demolição, mais de 4.300 tiros dados abaixo da linha de água. A obra foi dada como concluída em 1792. Atualmente, o termo Valeira está mais associado à barragem construída em 1976.
SÃO SALVADOR DO MUNDO | É um dos melhores lugares para falar da luta do homem com a inóspita paisagem e também da sua devoção. Para além do santuário, neste lugar existiu um fenómeno que marcava o limite de navegabilidade do rio Douro até ao século XVIII, o célebre Cachão da Valeira. Por isto, para montante, poucas eram as explorações vitícolas. Principalmente pela desmedida dificuldade do transporte dos vinhos. Apesar de terem existido tentativas desde 1530, só em 1780 se deu o início da obra de demolição, mais de 4.300 tiros dados abaixo da linha de água. A obra foi dada como concluída em 1792. Atualmente, o termo Valeira está mais associado à barragem construída em 1976.

2000 METROS DE PERCURSO | Com o desenho que se propõe, o lugar de São Salvador do Mundo poderá ganhar uma nova fase na sua longa e eterna existência. Em vez de olhar para o santuário enquanto conjunto isolado, olha-se para ele na relação que estabelece com a envolvente paisagística. Para isso, para além de melhorar a experiência do percurso sacro do santuário, propõe-se uma mistura de museu ao ar livre e caminhada de montanha, em que os visitantes podem seguir uma linha de 2000 metros de percurso desde o santuário, descendo pela encosta até ao rio, andando para trás no tempo, visitando histórias de antigas e poderosas quintas e furiosas águas formando cachões.
2000 METROS DE PERCURSO | Com o desenho que se propõe, o lugar de São Salvador do Mundo poderá ganhar uma nova fase na sua longa e eterna existência. Em vez de olhar para o santuário enquanto conjunto isolado, olha-se para ele na relação que estabelece com a envolvente paisagística. Para isso, para além de melhorar a experiência do percurso sacro do santuário, propõe-se uma mistura de museu ao ar livre e caminhada de montanha, em que os visitantes podem seguir uma linha de 2000 metros de percurso desde o santuário, descendo pela encosta até ao rio, andando para trás no tempo, visitando histórias de antigas e poderosas quintas e furiosas águas formando cachões.

6 INTERVENÇÕES | Estabeleceram-se seis intervenções principais: a reabilitação da casa do ermitão (1), o redesenho do espaço de chegada (2), a reutilização das ruínas da valeira (3), o novo memorial da valeira (4), o novo cais (5) e uma unidade de alojamento e miradouro (6). Numa estratégia de acupuntura arquitetónica passando pela reabilitação e infraestruturação que possibilita ver de perto algumas cicatrizes deixadas no território, tendo em conta sequências espaciais, onde chegar, como parar, de onde ver e ser visto. Este projeto apresenta-se como modelo extensível a outros territórios, onde se devem criar novas vivências assim como relações entre locais e visitantes, criando mais valia para ambos.
6 INTERVENÇÕES | Estabeleceram-se seis intervenções principais: a reabilitação da casa do ermitão (1), o redesenho do espaço de chegada (2), a reutilização das ruínas da valeira (3), o novo memorial da valeira (4), o novo cais (5) e uma unidade de alojamento e miradouro (6). Numa estratégia de acupuntura arquitetónica passando pela reabilitação e infraestruturação que possibilita ver de perto algumas cicatrizes deixadas no território, tendo em conta sequências espaciais, onde chegar, como parar, de onde ver e ser visto. Este projeto apresenta-se como modelo extensível a outros territórios, onde se devem criar novas vivências assim como relações entre locais e visitantes, criando mais valia para ambos.

REABILITAÇÃO DA CASA DO ERMITÃO (1) | Recuperar esta casa significa restaurar um dos principais usos deste santuário e do seu passado assente numa ideia de casa coletiva, onde o ermitão recebia os romeiros. Através das suas características espaciais, que são em si testemunho desta vivência, e com a sua adaptação a uma forma contemporânea de partilha, pode restituir-se a memória coletiva associada a este lugar, continuando a ser um espaço de descanso e conforto depois de uma paisagem inóspita. Um dos objetivos destas intervenções é atrair um público diferente do típico visitante do Douro Vinhateiro, existiu aqui a possibilidade de desenhar uma pequena unidade de hospedagem com quartos coletivos que proporcione estadias a custo reduzido.
REABILITAÇÃO DA CASA DO ERMITÃO (1) | Recuperar esta casa significa restaurar um dos principais usos deste santuário e do seu passado assente numa ideia de casa coletiva, onde o ermitão recebia os romeiros. Através das suas características espaciais, que são em si testemunho desta vivência, e com a sua adaptação a uma forma contemporânea de partilha, pode restituir-se a memória coletiva associada a este lugar, continuando a ser um espaço de descanso e conforto depois de uma paisagem inóspita. Um dos objetivos destas intervenções é atrair um público diferente do típico visitante do Douro Vinhateiro, existiu aqui a possibilidade de desenhar uma pequena unidade de hospedagem com quartos coletivos que proporcione estadias a custo reduzido.

REDESENHO DO ESPAÇO DE CHEGADA (2) | Aqui começa o percurso pelas capelas, o movimento do carro é substituído pelo passo de contemplação. Desenha-se o espaço de transição inexistente atualmente. Um novo volume - um muro espesso - que ao mesmo tempo organiza a coexistência de carros e pessoas, define os limites deste espaço e contém em si todo o programa funcional. É a partir deste ponto que o visitante, depois de informado, pode percorrer o percurso como entender. Ao mesmo tempo pretende-se qualificar um espaço mais apelativo a momentos de permanência e partilha de experiências, com outros visitantes e com os trabalhadores locais. Serviços e convívio afastam-se assim do percurso sacro, local de peregrinação, contemplação e devoção.
REDESENHO DO ESPAÇO DE CHEGADA (2) | Aqui começa o percurso pelas capelas, o movimento do carro é substituído pelo passo de contemplação. Desenha-se o espaço de transição inexistente atualmente. Um novo volume - um muro espesso - que ao mesmo tempo organiza a coexistência de carros e pessoas, define os limites deste espaço e contém em si todo o programa funcional. É a partir deste ponto que o visitante, depois de informado, pode percorrer o percurso como entender. Ao mesmo tempo pretende-se qualificar um espaço mais apelativo a momentos de permanência e partilha de experiências, com outros visitantes e com os trabalhadores locais. Serviços e convívio afastam-se assim do percurso sacro, local de peregrinação, contemplação e devoção.

REUTILIZAÇÃO DAS RUINAS DA VALEIRA (3) | No seu tempo, esta quinta foi um dos edifícios dominantes neste local. Agora abandonada e tendo em consideração os princípios de isolamento, base da vida eremítica, para que este local foi obviamente escolhido, propõe-se uma “nova forma de ermitismo”. Se bem que nem sempre passe por motivações religiosas, o isolamento e contacto com a natureza são cada vez mais procurados, assim, seja para a reflexão artística ou filosófica, propõe-se transformar estas ruínas em pequenas celas de alojamento de longa duração. Sítios de introspecção, que podem ser utilizados por escritores ou artistas para a realização dos seus projetos. Em contraste com a dureza da pedra e da paisagem, propõe-se uma intervenção maioritariamente em madeira.
REUTILIZAÇÃO DAS RUINAS DA VALEIRA (3) | No seu tempo, esta quinta foi um dos edifícios dominantes neste local. Agora abandonada e tendo em consideração os princípios de isolamento, base da vida eremítica, para que este local foi obviamente escolhido, propõe-se uma “nova forma de ermitismo”. Se bem que nem sempre passe por motivações religiosas, o isolamento e contacto com a natureza são cada vez mais procurados, assim, seja para a reflexão artística ou filosófica, propõe-se transformar estas ruínas em pequenas celas de alojamento de longa duração. Sítios de introspecção, que podem ser utilizados por escritores ou artistas para a realização dos seus projetos. Em contraste com a dureza da pedra e da paisagem, propõe-se uma intervenção maioritariamente em madeira.




ÍNDICE PROJETO
 
ITINERÂNCIAS E PERCURSOS DA MEMÓRIA
Universidade de Lisboa -
Faculdade de Arquitectura

Desenho que suporte a relação entre património, território e paisagem.
As Itinerâncias e Percursos da Memória são pedaços de estrada onde património e paisagem se unem para contar a história de uma terra e das suas gentes. Pontuados por lugares onde o desenho arquitetónico é o ponto de partida para a descoberta da identidade e da memória de Portugal. www.percursosdamemoria.com
À luz da situação de degradação e abandono em que muito do nosso património construído se encontra, e do geral desconhecimento da cultura, da paisagem, e dos lugares de Portugal, esta dissertação procurou um retorno à viagem como forma primordial de entender estes valores.

Assim, num momento em que todos tendem a olhar para o país com um certo desencantamento, desenham-se as Itinerâncias e Percursos da Memória, uma estratégia nacional que propicia a criação de percursos, troços de estrada onde património e paisagem se unem para contar a história da terra e das suas gentes a um ritmo devido. Pontuados por lugares onde a inteligência do desenho arquitetónico contemporâneo é o ponto de partida para a descoberta da identidade e da memória.

Num país cheio de história espalhada pelos 943 quilómetros de costa e 1214 quilómetros da mais antiga fronteira europeia, é com algum desapontamento, que se constata que fora das grandes cidades e centros históricos, continua o interior, abandonado nas marcas do seu passado, profundamente rural e taciturno. Pretende-se assim repensar a conexão e revitalizar os lugares de grande valor paisagístico e arquitetónico construídos ao longo de séculos e que está disperso pelo nosso território através de um olhar cuidado para o seu significado dos seus espaços. Quase como um revistar ao Inquérito à Arquitetura Regional, propõem-se uma nova viagem, agora para além de levantamento, é preciso desenho, é preciso criar novo, também sistematicamente, também em todo o país, também por jovens arquitetos. Porque, lembrando Fernando Távora, património é só um: passado, presente e futuro.

Na itinerância do Douro Ignoto demonstra-se como se desenha uma nova forma de dar a ver um antigo território, e no lugar de São Salvador do Mundo mostra-se como o desenho arquitetónico permite re habitar os seus lugares, trazendo novos usos e vivências.