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Reconhecimento de Maputo, Mafalala e Mikandjuíne.
Reconhecimento de Maputo, Mafalala e Mikandjuíne.

Intervenção: Habitar, Produzir e Orar.
Intervenção: Habitar, Produzir e Orar.

Construir o Muro: Dispositivo Morfológico.
Construir o Muro: Dispositivo Morfológico.

Ocupar o Muro: Habitação.
Ocupar o Muro: Habitação.

Recortar a Paisagem: Machamba.
Recortar a Paisagem: Machamba.

Pontuar a Paisagem: Mesquita.
Pontuar a Paisagem: Mesquita.




ÍNDICE PROJETO
VENCEDOR
INTERSTÍCIOS DO DUALISMO URBANO EM MAPUTO
Universidade de Lisboa -
Faculdade de Arquitectura

HABITAR, PRODUZIR E ORAR EM MAFALALA E MIKANDJUÍNE
Se por um lado, Maputo serve de suporte a uma massa populacional significativa - que promete crescer para 4 milhões de habitantes até 2025 -, por outro exibe um corpo dual que evidencia uma tensão formal entre tipos de traçado urbano. Neste contexto, as autoridades responsáveis não têm capacidade para responder à demanda necessária no suporte de uma decente qualidade de vida à população - que se vê obrigada a instalar-se debilmente na cidade, de maneira mais dispersa que congestionada.
A Mafalala e a Mikandjuíne - bairros classificados pela sua cultura e história - tratam-se das áreas improvisadas mais próximas do centro urbano e surgem como territórios privilegiados para uma intervenção que procura responder a esses dois factos incontornáveis da metrópole de Maputo: rápido crescimento demográfico e morfologia intersticial.
Neste sentido, habitar, produzir e orar, são assumidos como verbos para uma abordagem necessariamente utilitária e como produtos da intenção de propor espaço público qualificado onde ele não existia antes. Se num primeiro gesto, a busca por esse espaço se exerce na abertura de eixos de ligação com o traçado envolvente, o fissuramento da massa residencial, proporcionando uma machamba para a sustentabilidade económica, assume-se como segundo gesto na situação estratégica de equipamentos metropolitanos, aos quais se inclui o centro islâmico proposto, dominando e estruturando a paisagem improvisada, quando se pontuam "monumentalmente" pelo território.
O espaço é então edificado através de um muro que parte da necessidade de fracionar o território, mas que servindo-se da sua característica linear expande-se tanto para o interior da tipologia habitacional como para fora dela. Desta forma, o muro assume uma escala paisagística quando desenha todo o programa proposto, e afirma-se como elemento que estabelece a continuidade morfológica pretendida.