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Planta da cidade de Lisboa em 1911. Vista geral do morgadio dos Saldanha antes da construção do Hospital de Egas Moniz.
Planta da cidade de Lisboa em 1911. Vista geral do morgadio dos Saldanha antes da construção do Hospital de Egas Moniz.

Planta da proposta de intervenção no morgadio. Existente a cinzento e proposta a negro.
Planta da proposta de intervenção no morgadio. Existente a cinzento e proposta a negro.

Decalque da zona de intervenção do projecto de arquitectura. Quinta do Monte do Carmo intervencionada em 3 cotas diferentes que associam espaço exterior a volume construído.
Decalque da zona de intervenção do projecto de arquitectura. Quinta do Monte do Carmo intervencionada em 3 cotas diferentes que associam espaço exterior a volume construído.

Fotografia do Palácio da Quinta do Monte do Carmo em 2011.
Fotografia do Palácio da Quinta do Monte do Carmo em 2011.

Maqueta 1:200 da proposta. Conversão da Quinta do Monte do Carmo em jardim público, Refeitório de apoio ao Hospital, Centro de Dia e Residência Assistida.
Maqueta 1:200 da proposta. Conversão da Quinta do Monte do Carmo em jardim público, Refeitório de apoio ao Hospital, Centro de Dia e Residência Assistida.

Axonometria da proposta de arquitectura.
Axonometria da proposta de arquitectura.

Plantas de arquitectura. Ocupação do terreno por patamares. Relação e permeabilidade entre espaço interior construído e vazio gerado.
Plantas de arquitectura. Ocupação do terreno por patamares. Relação e permeabilidade entre espaço interior construído e vazio gerado.




PROJECTINDEX
 
CONSTRUIR NO CONSTRUÍDO
Universidade Técnica de Lisboa, UTL

Espaços Intersticiais No Antigo Morgadio dos Saldanha em Lisboa
Recuperar um lugar perdido e abandonado ao caos. Procurar a ordem partindo das irregularidades características do sítio e interpretando-as para desenhar novos espaços de relação entre sujeitos, o lugar e a arquitectura.
A cidade tem no solo em que assenta o seu maior recurso. O edificado tem um ciclo de vida que motiva o surgimento de novos espaços de oportunidade, espaços
intersticiais no limiar de propriedades e construções, que podem potenciar a reciclagem dessas áreas. Fazer face ao desenvolvimento da sociedade implica manter
actualizada a estrutura física que a suporta, num contínuo processo de construir no construído que altera a sua forma e, consequentemente, o modo de comunicar
significados e memórias. O valor atribuído à cidade (a estima com que esta é habitada) é uma questão fulcral nas intervenções actuais, pelo que se estudam as potencialidades de relação com a envolvente (patrimonial ou não) e a sua manutenção como vínculo de memória, reforçando significados, aproximando tempos
e ideais de construção e conferindo um incremento valorativo à estima pública. A
utilização dos espaços intersticiais como área útil da cidade consolidada permite a
densificação do uso do solo em centros e bairros onde a escassez de solo edificável
é um problema. O projecto desenvolve-se nos espaços intersticiais do antigo
morgadio dos Saldanha, à Junqueira. A análise e compreensão histórica, formal e
sociocultural permitiu identificar os elementos formais preponderantes na construção
de imagens mentais e memórias daquele lugar. Estes foram analisados,
reinterpretados à luz da contemporaneidade e utilizados para relacionar e reforçar
tempos distintos de intervenção. Procura-se um sistema de relações espaciais e
tectónicas que coloque em diálogo dois tempos e modos de arquitectar distintos,
significar e clarificar as pré-existências, criando novos significados através de novas
arquitecturas. Partindo da análise da encosta da Ajuda delineou-se um plano
estratégico que fizesse frente às suas necessidades infra-estruturais e de espaço
público diagnosticadas. O projecto consistiu em pequena, como contributo para a
qualidade de vida da população envelhecida. Multiplicar percursos entre a parte alta
e a parte baixa da Ajuda (novo atravessamento Norte-Sul no quarteirão e ligação à
via a Poente) e complementá-los por áreas verdes e pequenos equipamentos que
tornem mais aprazíveis as deslocações diárias (tendencialmente efectuadas a pé, de
modo solitário e com reduzida velocidade). Formalmente destacam-se dois gestos:
desenha-se a frente de rua com um volume maciço – o muro exterior – e
qualifica-se o vazio para lá do muro, relacionando-o com os vários elementos préexistentes.
A topografia é trabalhada através de patamares que se assumem como
miradouro ou páteo: orientados para vistas exteriores ou da proposta. Do projecto
base desenvolveu-se detalhadamente o núcleo correspondente à Quinta do Monte do
Carmo, destinado a Centro de Dia, Residência Assistida, Jardim público e Refeitório. A
re-utilização da Quinta como espaço onde se conjugam as características de
equipamento e de habitação permite que o seu usufruto enquanto espaço público
qualificado e simbólico de uma importante fase histórica do sítio da Junqueira
coexista com uma maior aproximação ao sujeito pelo facto de albergar uma função,
simultaneamente tão mundana e tão nobre, que é a de casa. O conceito enunciado
à escala urbana mantém-se para o edificado: delimitar o espaço de intervenção
através de barreiras e libertar o interior. A dimensão material do projecto pretende
reforçar estes conceitos base: elementos portantes em pedra (existentes) e betão
(novos) contêm os grandes espaços, controlam a topografia e desenham a rua; intramuros
o antigo Palacete em alvenaria mista, rebocado e pintado e as novas
construções periféricas tão perenes quanto um jardim (de matriz simples replicável
quer em implantação, quer em altura, totalmente construídas em madeira). Na
globalidade a intervenção centra-se na gestão do aparente caos. Estabelece-se a
ordem a partir do respeito pelas irregularidades características do lugar e sua
interpretação para o desenho de novos espaços de relação entre sujeitos, o lugar e
a arquitectura.