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ÍNDICE PROJETO
MENÇÃO HONROSA
DORMITÓRIOS DE MONCHIQUE
Universidade do Porto

A RUÍNA DE HOJE: MEMÓRIA E TRANSFORMAÇÃO
As ruínas do Convento da Madre de Deus de Monchique, localizadas no centro histórico do Porto, formaram parte central de uma investigação académica na qual se defende a intervenção culta em edifícios históricos. As ruínas do conjunto servem de ponto de partida para a identificação do valor histórico e patrimonial do edifício, que junto com a interpretação de tês casos de estudo de reabilitação de mosteiros a pousadas em Portugal, procura a formulação de um projeto-resgate da memória do antigo convento, segundo a interpretação criativa dos seus valores, provocando-se a sua transformação numa lógica de (re)valorização contemporânea.

Neste sentido, o programa tira partido da antiga utilização conventual e da sua compartimentação. À Ala Sul é atribuída uma pousada/residência que aproveita os antigos dormitórios a quartos, (recuperando a métrica das antigas celas); o refeitório conventual a restaurante; e as oficinas em espaços de serviço. Na Ala Norte distribuem-se habitações familiares, que permitem a utilização do conjunto como edifício de habitação coletiva. O nome atribuído ao projeto, “dormitórios de Monchique”, alude à sua função principal e permite um tema genérico, que é capaz de comportar as suas várias utilizações.

A transformação e metamorfose do convento de Monchique pretende operar de uma forma esteticamente mínima, colmatando os pontos sensíveis que se encontram em necessidade de recuperação. Os novos detalhes são realizados em aço corten, pela sua textura envelhecida e estética contemporânea, contraposto à expressão da pedra talhada e da madeira, de forma a declarar o novo.

Naturalmente, com o avançar dos anos, a vegetação encarregar-se-á de cobrir as paredes exteriores, a chuva cairá sobre a telha, escorrendo os seus sedimentos nas fachadas, e, a ferrugem do aço deixará a sua marca nas pedras do convento. A força da Natureza, sempre se encarregará de atenuar e apagar qualquer vestígio de forte contraste entre o novo e o antigo. Também esta intervenção fará parte do passado do edifício histórico, e, por fim, a aura do tempo e da pátina, tratará de atenuar as teorias da distinção.