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ÍNDICE PROJETO
NOMEADO
(RE)PENSAR A VIGILÂNCIA: ARQUITETURA PRISIONAL
Universidade da Beira Interior

A vigilância é uma tentativa do Homem para estabelecer ordem, portanto, uma forma de controlo. Vivemos num mundo de regras e, um dos meios para as manter em prática é através da punição de quem não as cumpre. A vigilância, feita por vigilantes, surge como suporte deste sistema de punição que condiciona o comportamento dos indivíduos e coordena-os para determinados objetivos. Esta relação, entre vigilância e punição, influencia a organização do espaço arquitetónico, que por sua vez, influencia e manipula o comportamento dos indivíduos restritos ao seu interior. Neste sentido, o Homem passa a relacionar-se com determinados espaços e respetivas regras. As regras impõem a disciplina do lugar, bem como a vigilância, que participa neste processo como instrumento auxiliador do espaço.

Partindo desta ordem, procurou-se entender a relação entre o espaço arquitetónico e a vigilância, sobretudo, no que diz respeito ao espaço prisional  lugar onde a vigilância é visivelmente imposta como garantia do seu bom funcionamento.

Hoje, confrontamo-nos com o objeto prisional separado e desvalorizado da sua função de vigiar passando a ser o meio de suporte de uma rede artificial de observação que faz o papel de vigilante e que define os limites do controlo. A vigilância aos poucos foi abolida da estrutura física, que consequentemente adquire formas que são incapazes de serem autónomas dos sistemas tecnológicos. Esta perceção levou-nos a (re)pensar a relação formal entre o espaço e a vigilância.

Assim, a partir de uma ideia de modelo, propõe-se devolver a função da vigilância ao objeto arquitetónico com base numa regra espacial estruturada a partir de três elementos: a torre, o pátio e a cela que, juntos, são capazes de transmitir sobre o corpo aprisionado a sensação de estar a ser vigiado. Uma vez definido um modelo, experimentou-se a sua aplicação num território concreto.