Archiprix Portugal
Portugues English
ÍNDICE PROJETO
MENÇÃO HONROSA
DIALETTICA DELLA SOTTRAZIONE

SINES. COMPOR OS OPOSTOSDIALETTICA DELLA SOTTRAZIONE
Um íngreme rochedo separa verticalmente a cidade de Sines do mar.
Este desnível é hoje vencido de diferentes maneiras: muitas ligações, mas nenhuma capaz de conferir ao tema da conexão a importância que merece.
A aspiração do projecto é concentrar a ligação entre as partes superior e inferior de Sines num ponto único, uma porta simbólica de acesso da cidade ao mar e do mar à cidade, de maneira a libertar o espaço da escarpa rochosa, que assim recupera o seu caráter natural.
O projeto articula-se em dois sistemas de muros de contenção que se opõem à topografia da falésia e redefinem os limites da cidade. O primeiro repensa a muralha do castelo. O segundo, a um nível inferior, define a nova praça da cidade, baluarte sobre o mar que acomoda escavados no seu interior os dispositivos de conexão vertical (escadas e elevador), e um espaço para atuações artísticas e concertos.
A entrada ao sistema é feita por um novo edifício introduzido na praça, a rematar um bloco de casas existentes.
Mesmo a música garante uma continuidade programática entre a cidade e a costa: os palcos do imprescindível Festival Musicas do Mundo estão localizados dentro do recinto do Castelo e ao longo da rua marginal, que são os dois extremos da intervenção.
Escavar, subtrair, são as operações através das quais se constitui o projeto.
O espaço principal, escavado na massa definida pelos muros de contenção, é um grande vazio cúbico com função de auditório, organizado de maneira não convencional: nas suas faces verticais abrem-se os palcos, vazios menores, conectados a outros volumes escavados em comunicação com o exterior, que trazem a luz para dentro. Desta forma o espaço central, em penumbra, acolhe os espectadores rodeados pelas performances em ato nos palcos iluminados pelos volumes de luz que cruzam.
Ao peso da rocha da falésia, à massa desenhada em oposição à topografia, responde à articulação leve dos volumes negativos, a qualidade etérea dos espaços iluminados.
É a dialética do cheio e do vazio.