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ÍNDICE PROJETO
NOMEADO
ARQUEOLOGIA OPERATIVA NA CORDOARIA
Universidade de Lisboa -
Faculdade de Arquitectura

Da Arte do Passado à Contemporaneidade
A proposta urbana caracteriza-se pela integração do contexto cultural de Belém com a frente ribeirinha, através da ideia de unidade. A intervenção baseia-se no conceito de Arqueologia Operativa, ao evidenciar camadas ocultas da cidade, e encontra enfoque na Fábrica Nacional da Cordoaria.
A proposta de reabilitação da Cordoaria visa, através de uma “arqueologia ope-rativa”, enaltecer a memória do edifício como antigo cais; coloca em evidência as paredes que outrora estavam em contacto com o Rio Tejo. Este conceito estende-se ao presentifi-car a existência do caneiro do Rio Seco que passa obliquamente por debaixo da Cordoa-ria. A passagem inferior que articula a Cordoaria e a frente de Rio remete-nos também para um metafórico sentido arqueológico e de descoberta; grande túnel pontuado pela incessante repetição de entradas de luz.
A estratégia projectual para o Museu de Arqueologia, numa parte da Cordoaria caracterizada pela diversidade morfológica de vários tempos e necessidades, passou pela delimitação de uma malha -regida pela métrica do edifício- tal como acontece no processo de escavação arqueológica e por entender quais as ruínas que remontavam ao inicio da construção. Todo o projecto se desenvolve em torno da malha do muro que faz fronteira com a Rua da Junqueira, como se quiséssemos marcar o território para o descobrir, esca-vando um coleccionar experiências. O novo edificado funde-se mas não interfere fisica-mente com pré-existências, nunca toca as ruínas e permite criar um sistema de perspecti-vas e relações. A perspectiva é sempre controlada e confere, juntamente com os jogos de luz, uma experiência sensível e aprazível. Sobre estes volumes, que resultaram de “esca-vações” dentro da retícula quadrangular, pousa um volume linear onde se encontra o Museu de Arqueologia. Conceptualmente este volume é a cobertura do espaço arqueológi-co. Porém se num sítio arqueológico se descobre apenas artefactos arqueológicos, aqui descobre-se novos espaços, novas entradas de luz, áreas verdes e espelhos de água, há um mesclar de sensações.
A marcação muito forte das métricas, um espaço repetitivo e obsessivamente continuo, é uma clara evocação da Cordoaria “o edifício fita-métrica”. A carga da pré-existência não se manifesta de forma absoluta mas há uma re-interpretação com traço contemporâneo.
Exteriormente o edifico é um bloco de carácter etéreo, revestido a lioz, pedra usa-da nas cantarias da Fábrica, porém o seu interior é todo de betão aparente, rude e visível, como se o lugar tivesse sido escavado.
As memórias do lugar e da cidade de Lisboa, foram, em suma, os pressupostos de base para a conceptualização desta narrativa.