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Imagem 1 O caso prático situa-se na freguesia de Grijó, concelho de Vila Nova de Gaia.
Imagem 1 O caso prático situa-se na freguesia de Grijó, concelho de Vila Nova de Gaia.

Imagem 2 A - Ala Sul, Ruína e o Novo Elemento Actualmente inexistente, a ala sul mantém ainda elementos que provam e marcam a existência de uma construção naquela área intercalada directamente com a Casa dos Frades e o claustro. A conexão directa entre o velho e o novo, aliado à recuperação do antigo terreno, orientam a trajectória da implantação e projecção do novo volume. A presente ruína será o elemento de ligação entre as duas componentes: a organização espacial do mosteiro e a nova construção com uma organização própria, onde a reconstrução mimética é uma intenção excluída; B - Casa dos Frades No terreno da Quinta e noutro tempo ligado fisicamente ao Mosteiro a Casa dos Frades, do século XVIII, é uma união de duas construções, cada uma com características peculiares, que formam um conjunto próprio e distinto. A Capela Oval, construção a norte, manifesta uma inspiração ao divino, ao sobrenatural. O percurso da luz pelas profundas janelas e o volume do vazio abundante em reentrâncias e formas cede a um cenário íntimo de fantasia e ficção.
Imagem 2 A - Ala Sul, Ruína e o Novo Elemento Actualmente inexistente, a ala sul mantém ainda elementos que provam e marcam a existência de uma construção naquela área intercalada directamente com a Casa dos Frades e o claustro. A conexão directa entre o velho e o novo, aliado à recuperação do antigo terreno, orientam a trajectória da implantação e projecção do novo volume. A presente ruína será o elemento de ligação entre as duas componentes: a organização espacial do mosteiro e a nova construção com uma organização própria, onde a reconstrução mimética é uma intenção excluída; B - Casa dos Frades No terreno da Quinta e noutro tempo ligado fisicamente ao Mosteiro a Casa dos Frades, do século XVIII, é uma união de duas construções, cada uma com características peculiares, que formam um conjunto próprio e distinto. A Capela Oval, construção a norte, manifesta uma inspiração ao divino, ao sobrenatural. O percurso da luz pelas profundas janelas e o volume do vazio abundante em reentrâncias e formas cede a um cenário íntimo de fantasia e ficção.

Imagem 3 As Pedras Consideradas o material mais nobre e resistente, a pedra é utilizada para a construção desde há muitos anos. Apesar dos estudos e conhecimentos adquiridos, as pedras tendem a guardar segredos não só de si, mas dos cenários testemunhados. A projecção do muro a norte e a ruína da parede sul são dois elementos de distintas idades e épocas, mas unificam-se com os mesmos materiais e a mesma exposição, nua às intempéries e ao tempo. Dois muros, dois planos. As pedras ganham vida por aquilo que abrigam e presenciam. O tipo de sobreposição e construção dos muros que não são revestidos e que se instalam em zonas rurais, rodeados pela natureza, tendem a ser colonizados pelos animais que habitam no local, servindo de protecção, refugio e território de caça. A água retida na porosidade no material gera outro tipo de colonização por parte das plantas. O rectilíneo e o melancólico dos muros são suprimidos e preenchidos por dinamismo e memórias. O novo plano a norte conserva a privacidade do que acontece para além da cerca, guia e acompanha o trajecto do visitante, permite observar e contemplar o antigo conjunto monástico e o material escolhido para o erguer seria a pedra, conectando com o existente e combinando os dois com o verde do campo. A ruína, elemento de ligação entre o velho e o novo, não era pretendido que fosse encerrada e vedada. A visão desejada, deixa as pedras a nu, defrontando as intempéries e alterando-se durante as estações do ano, com intenção de que no futuro, o cenário tenha vida além de história.
Imagem 3 As Pedras Consideradas o material mais nobre e resistente, a pedra é utilizada para a construção desde há muitos anos. Apesar dos estudos e conhecimentos adquiridos, as pedras tendem a guardar segredos não só de si, mas dos cenários testemunhados. A projecção do muro a norte e a ruína da parede sul são dois elementos de distintas idades e épocas, mas unificam-se com os mesmos materiais e a mesma exposição, nua às intempéries e ao tempo. Dois muros, dois planos. As pedras ganham vida por aquilo que abrigam e presenciam. O tipo de sobreposição e construção dos muros que não são revestidos e que se instalam em zonas rurais, rodeados pela natureza, tendem a ser colonizados pelos animais que habitam no local, servindo de protecção, refugio e território de caça. A água retida na porosidade no material gera outro tipo de colonização por parte das plantas. O rectilíneo e o melancólico dos muros são suprimidos e preenchidos por dinamismo e memórias. O novo plano a norte conserva a privacidade do que acontece para além da cerca, guia e acompanha o trajecto do visitante, permite observar e contemplar o antigo conjunto monástico e o material escolhido para o erguer seria a pedra, conectando com o existente e combinando os dois com o verde do campo. A ruína, elemento de ligação entre o velho e o novo, não era pretendido que fosse encerrada e vedada. A visão desejada, deixa as pedras a nu, defrontando as intempéries e alterando-se durante as estações do ano, com intenção de que no futuro, o cenário tenha vida além de história.

Imagem 4 Previamente a uma adição ou subtração no mosteiro, há que reconhecer o valor de cada espaço e avaliar qual a capacidade e potencialidade para albergar e associar novos elementos do tempo presente, sem descaracterizar ou criar discordâncias entre o antigo e o recente. Os novos elementos inseridos no existente, fora ou dentro dos espaços do mosteiro, que adaptam, reutilizam e asseguram as necessidades e funcionalidades do novo programa, são reversíveis, permitem a manutenção de grande parte da área do existente e orientam-se pelos limites originados pela malha do conjunto. O projecto de intervenção e os novos materiais interagem e salientam as pedras que elevam e ornamentam o mosteiro. Saber a natureza dos materiais é importante pois possibilita uma melhor e benéfica intervenção.
Imagem 4 Previamente a uma adição ou subtração no mosteiro, há que reconhecer o valor de cada espaço e avaliar qual a capacidade e potencialidade para albergar e associar novos elementos do tempo presente, sem descaracterizar ou criar discordâncias entre o antigo e o recente. Os novos elementos inseridos no existente, fora ou dentro dos espaços do mosteiro, que adaptam, reutilizam e asseguram as necessidades e funcionalidades do novo programa, são reversíveis, permitem a manutenção de grande parte da área do existente e orientam-se pelos limites originados pela malha do conjunto. O projecto de intervenção e os novos materiais interagem e salientam as pedras que elevam e ornamentam o mosteiro. Saber a natureza dos materiais é importante pois possibilita uma melhor e benéfica intervenção.

Imagem 5 A arquitectura nas obras de reabilitação e restauro no Mosteiro em Grijó, tem um papel importante através da oportunidade que lhe é concebida de dar vida, ressuscitar espaços e reviver memórias de antigos edifícios e monumentos esquecidos ou degradados. O trabalho origina então uma nova fase na já longa vida do Mosteiro de São Salvador de Grijó, e concede margem a outras que poderão surgir.
Imagem 5 A arquitectura nas obras de reabilitação e restauro no Mosteiro em Grijó, tem um papel importante através da oportunidade que lhe é concebida de dar vida, ressuscitar espaços e reviver memórias de antigos edifícios e monumentos esquecidos ou degradados. O trabalho origina então uma nova fase na já longa vida do Mosteiro de São Salvador de Grijó, e concede margem a outras que poderão surgir.

Imagem 6 Axonometria do Novo Volume e Maqueta do Conjunto
Imagem 6 Axonometria do Novo Volume e Maqueta do Conjunto

Imagem 7 Antiga Sala do Capítulo – Biblioteca e Arquivo A sala do capítulo era onde os clérigos reuniam-se para assembleias periódicas e discussões sobre a administração do mosteiro, que eram iniciadas pela leitura de um capítulo da Regra pela qual se guiavam. Era a sala de maior importância no conjunto monástico. Como arquivo do conhecimento e cultura de uma civilização, as bibliotecas faziam parte do programa nos mosteiros onde os livros e escrituras eram preservados e copiados pelos clérigos. São ainda cenários e peças principais nas histórias de livros e filmes. Nesta proposta, a construção de uma, seria potencialidade da outra. Dividia em duas áreas e dois pisos, a proposta faz separação da zona de arquivo da de leitura. A primeira, logo à entrada, fecha-se em si, como baú do conhecimento, onde numa passagem entra-se na luminosa área de leitura em contraste com a anterior.
Imagem 7 Antiga Sala do Capítulo – Biblioteca e Arquivo A sala do capítulo era onde os clérigos reuniam-se para assembleias periódicas e discussões sobre a administração do mosteiro, que eram iniciadas pela leitura de um capítulo da Regra pela qual se guiavam. Era a sala de maior importância no conjunto monástico. Como arquivo do conhecimento e cultura de uma civilização, as bibliotecas faziam parte do programa nos mosteiros onde os livros e escrituras eram preservados e copiados pelos clérigos. São ainda cenários e peças principais nas histórias de livros e filmes. Nesta proposta, a construção de uma, seria potencialidade da outra. Dividia em duas áreas e dois pisos, a proposta faz separação da zona de arquivo da de leitura. A primeira, logo à entrada, fecha-se em si, como baú do conhecimento, onde numa passagem entra-se na luminosa área de leitura em contraste com a anterior.

Imagem 8 O contraste entre uma ideia de esconderijo e lugar do tesouro, onde o conhecimento é retido e protegido entre madeira e aço, com a presença da luz natural que recebe e acompanha quem passa pelo rasgo e a procura. As três aberturas, são também um momento de realidade para quem se perde nas palavras e histórias dos livros. Que olhar lá para fora sirva como pausa para quem se consome nos cenários, informações e relatos do papel. No desenvolver desta reutilização e adaptação da Antiga Sala do Capítulo para uma Biblioteca, tornou-se impossível termina-la sem antes completar com mobiliário. Uma mesa que ilude a um altar, uma secretária e uma mesa de leitura com luz própria, foram o resultado de questões e desenhos. Os elementos em carvalho e mogno, organizam a área de leitura e estabelecem uma ligação entre o espaço e quem usufruir dele. A Biblioteca, um mimo dado a este trabalho, complementa as intenções, o programa, os espaços e os pormenores esta intervenção no Mosteiro de São Salvador de Grijó.
Imagem 8 O contraste entre uma ideia de esconderijo e lugar do tesouro, onde o conhecimento é retido e protegido entre madeira e aço, com a presença da luz natural que recebe e acompanha quem passa pelo rasgo e a procura. As três aberturas, são também um momento de realidade para quem se perde nas palavras e histórias dos livros. Que olhar lá para fora sirva como pausa para quem se consome nos cenários, informações e relatos do papel. No desenvolver desta reutilização e adaptação da Antiga Sala do Capítulo para uma Biblioteca, tornou-se impossível termina-la sem antes completar com mobiliário. Uma mesa que ilude a um altar, uma secretária e uma mesa de leitura com luz própria, foram o resultado de questões e desenhos. Os elementos em carvalho e mogno, organizam a área de leitura e estabelecem uma ligação entre o espaço e quem usufruir dele. A Biblioteca, um mimo dado a este trabalho, complementa as intenções, o programa, os espaços e os pormenores esta intervenção no Mosteiro de São Salvador de Grijó.




ÍNDICE PROJETO
NOMEADO
REABILITAÇÃO DO MOSTEIRO DE SÃO SALVADOR DE GRIJÓ
Escola Superior Artística do Porto

Tudo começou em 922, quando dois irmãos clérigos ergueram um pequeno templo de adoração a Santo Agostinho, aquando o Condado Portucalense ainda não havia sido formado. A pequena construção, pelos séculos até à actualidade, apresenta uma cronologia evolutiva entre tumultos e progressos, que resultam no que hoje se presencia e se designa de Mosteiro de São Salvador de Grijó.

A origem, o desenvolvimento e a visibilidade da Freguesia de Grijó, Vila Nova de Gaia, deve-se ao conjunto monástico que é estimado, protegido e glorificado pela comunidade, que usufrui dos seus espaços públicos exteriores e interiores.

As várias intervenções construtivas de que o mosteiro foi alvo, expõem um edifício desgastado fragmentado, onde a sua cerca já não lhe pertence, revelando falhas e desaparecimento de elementos construtivos e eixos de ligação e planos de consolidação recentes, não pensados e não conciliados com a pré-existência.

A proposta de reabilitação, com um novo programa, através das respostas às dúvidas encontradas durante a organização de ideias e conceitos e a realização do projecto final, fomentou conhecimentos, interesses e curiosidades numa intervenção que visa interligar da melhor forma o pré-existente ao novo programa e respectivas funcionalidades e missões.

Previamente a uma adição ou subtração no mosteiro, há que reconhecer o valor de cada espaço e avaliar qual a capacidade e potencialidade para albergar e associar novos elementos do tempo presente, sem descaracterizar ou criar discordâncias entre o antigo e o recente.

Os novos elementos inseridos no existente, fora ou dentro dos espaços do mosteiro, que adaptam, reutilizam e asseguram as necessidades e funcionalidades do novo programa, são reversíveis, permitem a manutenção de grande parte da área do existente e orientam-se pelos limites originados pela malha do conjunto.

O projecto de intervenção e os novos materiais interagem e salientam as pedras que elevam e ornamentam o mosteiro. Saber a natureza dos materiais é importante pois possibilita uma melhor e benéfica intervenção.

A arquitectura nas obras de reabilitação e restauro no Mosteiro em Grijó, tem um papel importante através da oportunidade que lhe é concebida de dar vida, ressuscitar espaços e reviver memórias de antigos edifícios e monumentos esquecidos ou degradados.

O trabalho origina então uma nova fase na já longa vida do Mosteiro de São Salvador de Grijó, e concede marguem a outras que poderão surgir.