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A re-localização do campus de Hakozaki, devido à pressão imobiliária e congestionamento de transportes, tornaria uma área de 42 ha devoluta dentro de uma parte consolidada na cidade. O futuro dos edifícios, devido à sua idade avançada (alguns com mais de 100 anos) e desadequação às exigências sísmicas, seria a demolição. Decidi transformar esta intenção numa oportunidade para estudar a possibilidade de adaptação de alguns destes edifícios a um novo uso e uma nova vida. Uma das primeiras propostas foi a criação de um parque urbano, de forma a oferecer mais áreas públicas a esta porção da cidade e também de forma a contrabalançar o efeito da tsuyu (estação das monções).
A re-localização do campus de Hakozaki, devido à pressão imobiliária e congestionamento de transportes, tornaria uma área de 42 ha devoluta dentro de uma parte consolidada na cidade. O futuro dos edifícios, devido à sua idade avançada (alguns com mais de 100 anos) e desadequação às exigências sísmicas, seria a demolição. Decidi transformar esta intenção numa oportunidade para estudar a possibilidade de adaptação de alguns destes edifícios a um novo uso e uma nova vida. Uma das primeiras propostas foi a criação de um parque urbano, de forma a oferecer mais áreas públicas a esta porção da cidade e também de forma a contrabalançar o efeito da tsuyu (estação das monções).

Para fecho deste espaço amplo, foi desenhado um novo edifício que relaciona os edifícios a serem adaptados com o parque e a chegada a este novo lugar. Relativamente à adaptabilidade dos edifícios a serem preservados, a ex- faculdade de engenharia foi adaptada numa incubadora de empresas, tirando partido da celularidade e intercomunicação dos seus espaços. Foi acrescentado um pórtico à nova incubadora de empresas que re-desenha a fachada traseira do edifício como uma entrada principal. O edifício dos Headquarters foi transformado num Ward Office para Hakozaki, tirando partido das mesmas características espaciais. O edifício do Auditório mantém a sua função inicial, mas a sua disposição planimétrica, com um corredor central a que são agregadas diversas funções torna a adição de novos espaços e usos relativamente fácil.
Para fecho deste espaço amplo, foi desenhado um novo edifício que relaciona os edifícios a serem adaptados com o parque e a chegada a este novo lugar. Relativamente à adaptabilidade dos edifícios a serem preservados, a ex- faculdade de engenharia foi adaptada numa incubadora de empresas, tirando partido da celularidade e intercomunicação dos seus espaços. Foi acrescentado um pórtico à nova incubadora de empresas que re-desenha a fachada traseira do edifício como uma entrada principal. O edifício dos Headquarters foi transformado num Ward Office para Hakozaki, tirando partido das mesmas características espaciais. O edifício do Auditório mantém a sua função inicial, mas a sua disposição planimétrica, com um corredor central a que são agregadas diversas funções torna a adição de novos espaços e usos relativamente fácil.

Axonometria. O novo edifício desenhado serviu como objecto de estudo para a temática do tempo anteriormente introduzida. Procurei englobar no edifício, um centro comunitário para uma nova comunidade em Hakozaki, as diferentes vertentes do tempo que caracterizam a cultura japonesa. A premissa do projecto assenta no reconhecimento de duas temporalidades diferentes no mesmo edifício, cada uma com o seu método de construção. As partes permanentes do edifício, para além da estrutura base e da cobertura que reflectem características arquetípicas da arquitectura japonesa, compreendem os volumes da biblioteca e dos sentou (banhos públicos japoneses).
Axonometria. O novo edifício desenhado serviu como objecto de estudo para a temática do tempo anteriormente introduzida. Procurei englobar no edifício, um centro comunitário para uma nova comunidade em Hakozaki, as diferentes vertentes do tempo que caracterizam a cultura japonesa. A premissa do projecto assenta no reconhecimento de duas temporalidades diferentes no mesmo edifício, cada uma com o seu método de construção. As partes permanentes do edifício, para além da estrutura base e da cobertura que reflectem características arquetípicas da arquitectura japonesa, compreendem os volumes da biblioteca e dos sentou (banhos públicos japoneses).

Planta do piso térreo (cima), Alçado Sudoeste (centro) e Corte (baixo). Uma vez que o futuro da comunidade de Hakozaki é incerto, e um centro comunitário se deve poder adequar às necessidades da população, foram desenhados outros serviços, de carácter temporário, cuja construção e desmantelamento não afectam directamente esta estrutura base. Analisando mais a fundo as partes temporárias do projecto, foi uma preocupação que elas se lessem como partes de um conjunto mas que ainda assim fosse possível reconhecer que não pertencem da mesma forma que as “caixas” permanentes. Exemplo disto é o facto das unidades temporárias nunca tocarem na estrutura permanente (quer nos pilares, quer no pavimento), possuindo uma estrutura e construção ligeiras (à base de madeira e derivados).]
Planta do piso térreo (cima), Alçado Sudoeste (centro) e Corte (baixo). Uma vez que o futuro da comunidade de Hakozaki é incerto, e um centro comunitário se deve poder adequar às necessidades da população, foram desenhados outros serviços, de carácter temporário, cuja construção e desmantelamento não afectam directamente esta estrutura base. Analisando mais a fundo as partes temporárias do projecto, foi uma preocupação que elas se lessem como partes de um conjunto mas que ainda assim fosse possível reconhecer que não pertencem da mesma forma que as “caixas” permanentes. Exemplo disto é o facto das unidades temporárias nunca tocarem na estrutura permanente (quer nos pilares, quer no pavimento), possuindo uma estrutura e construção ligeiras (à base de madeira e derivados).]

Planta da cobertura (cima), Alçado Nordeste e Sudeste (centro) e Corte (baixo) As partes permanentes, pelo contrário, afectam a estrutura base atravessando o pavimento e abraçando os pilares. A materialidade pesada do betão foi também utilizada, remetendo para os outros edifícios do complexo que foram adaptados. Esta frieza exterior é contrariada no interior, onde o material em contacto com as pessoas passa a ser a madeira.
Planta da cobertura (cima), Alçado Nordeste e Sudeste (centro) e Corte (baixo) As partes permanentes, pelo contrário, afectam a estrutura base atravessando o pavimento e abraçando os pilares. A materialidade pesada do betão foi também utilizada, remetendo para os outros edifícios do complexo que foram adaptados. Esta frieza exterior é contrariada no interior, onde o material em contacto com as pessoas passa a ser a madeira.

À esquerda encontra-se representado a planta e o corte dos Sentou (caixa permanente), enquanto à direita se encontra o exemplo de uma caixa temporária, neste caso as salas de aulas.
À esquerda encontra-se representado a planta e o corte dos Sentou (caixa permanente), enquanto à direita se encontra o exemplo de uma caixa temporária, neste caso as salas de aulas.

Ambiências dos Sentou (banhos públicos) e das salas de aula. De notar as diferenças matéricas e espaciais destes dois espaços que deixam transparecer também a diferença nas suas temporalidades.
Ambiências dos Sentou (banhos públicos) e das salas de aula. De notar as diferenças matéricas e espaciais destes dois espaços que deixam transparecer também a diferença nas suas temporalidades.

Cortes construtivos - caixa permanente (esquerda) e caixa temporária (direita)- e maquete constitutiva do projecto. Uma vez que a forma do edifício é parcialmente mutável, procurei fazer as partes permanentes o mais reconhecíveis possível para a comunidade. As técnicas de construção, os materiais empregues e o tipo de espacialidade criada são interpretações da arquitectura japonesa. A elevação do solo, a dissolução interior/exterior criando um espaço intermédio – engawa- e o jogo de penumbra/luz são algumas das características que procurei evidenciar neste trabalho. A ligação com a natureza, uma característica bastante importante nas casas tradicionais, foi também abordada na relação entre edifício e parque, em que a cobertura serve como um canal para a água da chuva desaguar no lago.
Cortes construtivos - caixa permanente (esquerda) e caixa temporária (direita)- e maquete constitutiva do projecto. Uma vez que a forma do edifício é parcialmente mutável, procurei fazer as partes permanentes o mais reconhecíveis possível para a comunidade. As técnicas de construção, os materiais empregues e o tipo de espacialidade criada são interpretações da arquitectura japonesa. A elevação do solo, a dissolução interior/exterior criando um espaço intermédio – engawa- e o jogo de penumbra/luz são algumas das características que procurei evidenciar neste trabalho. A ligação com a natureza, uma característica bastante importante nas casas tradicionais, foi também abordada na relação entre edifício e parque, em que a cobertura serve como um canal para a água da chuva desaguar no lago.




ÍNDICE PROJETO
 
TIME AS FORMGIVER IN JAPANESE ARCHITECTURE
Universidade de Lisboa -
Faculdade de Arquitectura

Building rehabilitation and adaptation in the Hakozaki Campus of the Kyushu University, in Fukuoka, Japan
A premissa do projecto, para além da re-integração de algum do património construído numa nova vivência de Hakozaki, assenta no reconhecimento de duas temporalidades diferentes no mesmo edifício, cada uma com o seu método construtivo.
A questão do tempo é um dos objectos de estudo mais relevantes na teoria da arquitectura contemporânea. A escassez dos recursos naturais, muitos destes perdidos no processo de construção, assim como o aumento na geração de recursos de destruição e demolição são dois dos principais factores que levam os arquitectos a procurar formas mais sustentáveis de desenhar edifícios.
No Japão, embora a importância da sustentabilidade seja reconhecida pela indústria da construção, as circunstâncias são um pouco distintas das do mundo ocidental. A influência do Budismo Zen e do Shindoísmo, bem como a tradição da construção em madeira e a frequente ocorrência de terramotos contribuem para que os edifícios sejam vistos como objectos temporários e não como elementos permanentes da paisagem construída.
A mudança de área do campus universitário de Hakozaki em Fukuoka e o consequente abandono do seu edificado apresentaram-se como uma oportunidade para investigar este tema.
A premissa do projecto, para além da re-integração de algum do património construído numa nova vivência de Hakozaki, assenta no reconhecimento de duas temporalidades diferentes no mesmo edifício, cada uma com o seu método construtivo.
Este edifício, um centro comunitário, é constituído por partes permanentes que para além da estrutura base e da cobertura compreendem os volumes em betão da biblioteca e dos sentou; e por partes temporárias, cuja construção e desmantelamento não afectam directamente esta estrutura base e cujo desenho é mais leve e abstracto.
As técnicas de construção, os materiais empregues e o tipo de espacialidade invocada são interpretações da arquitectura japonesa, sendo a elevação do solo, a dissolução interior/exterior e o jogo de penumbra/luz algumas das características mais evidenciadas. A ligação com a natureza foi também adereçada na relação entre edifício e parque, em que a cobertura serve como um canal para a água da chuva desaguar no lago.