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ÍNDICE PROJETO
NOMEADO
DO PALÁCIO À CIDADE
Universidade de Lisboa -
Faculdade de Arquitectura

INTERVENÇÃO NA ENCOSTA DA AJUDA EM LISBOA
Chegados ao cimo da Calçada da Ajuda, deparamo-nos com um Palácio inacabado – o Palácio Nacional da Ajuda. Um elemento desconectado do contexto ao olharmos para a forte vivência residencial que define o território. Acontece um choque de realidades: a monumental e a residencial.

A intervenção pretende coser estes dois mundos, procurando trazer o Palácio para o bairro.

O Jardim Botânico da Ajuda apresenta-se como uma oportunidade. Um lugar que não é nosso, que pertence aos muros que o guardam e escondem. É o elemento estruturante da estratégia urbana, assente num ideal de espaço público onde o verde é espaço de lazer, de permanência e de contemplação, materializando-se em longas plataformas.

São criadas novas dinâmicas territoriais através da introdução de equipamentos públicos que, funcionando no seu negativo, promovem uma forte vivência diária. Exemplo disso é o Museu do Terramoto, que sublinha a importância da catástrofe na evolução da Ajuda. O Jardim torna-se o elemento mediador, servindo a comunidade em que se insere, não esquecendo o Palácio que o sustenta.

Mas é no desenho dos quarteirões residenciais que tudo se liga, tendo na gradação de privacidade a base do seu pensamento. Procuram uma leitura fluída, aberta à cidade e que promova a vida em comunidade. Não se fecham sobre si. Mantêm a relação com a rua, mas levam a ocupação do espaço público residencial a um novo nível através do seu vazio central – o pátio comunitário. O pátio que é meu e é do meu vizinho, que é de todos e não é de ninguém. Que é privado em relação à rua, mas público em relação à casa.

Este leva-nos ao pátio privado, só depois para o interior da habitação. Uma subida contínua pauta a sua organização, estabelece os vários níveis de privacidade, introduz filtros, anuncia o que aí vem pela sua materialidade. Um percurso agarrado ao plano da fachada que nos propõe uma experiência do espaço de habitar e nos conduz às divisões de maior privacidade (interior e exterior): o quarto e o terraço.