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muro amarelo no centro da vila do Bom Sucesso, antes e após intervenção
muro amarelo no centro da vila do Bom Sucesso, antes e após intervenção

forma de vida e forma devida
forma de vida e forma devida

redundância espacial e indeterminação programática
redundância espacial e indeterminação programática

jardim, natureza edificada
jardim, natureza edificada

casa gandaresa, conformidade e delimitação
casa gandaresa, conformidade e delimitação

economia de meios
economia de meios




ÍNDICE PROJETO
NOMEADO
UMA PAISAGEM DE ACONTECIMENTOS
Universidade do Porto

PROJECTO PARA UMA CASA-REFÚGIO NO BOM SUCESSO
Um projecto de arquitectura para uma segunda casa, de refúgio e de reunião da família, de custos controlados, tem lugar num lote, na área suburbana do Bom Sucesso, concelho da Figueira da Foz, em tempos ocupado por uma casa de construção modesta, também esta pertença da família.
As primeiras visitas ao Bom Sucesso e o confronto com a única estrutura existente no lote - uma fachada cega amarela reminiscente da casa de família que aí existira - são desencadeadoras de dilema: o que achar deste muro.
O Muro Amarelo assume, por esta via, o papel de catalisador de narrativa (e) do projecto - estrutura-paradigma geradora de um universo de sentidos que accionam reflexões sobre os diversos temas, realidades e imagens que se demonstram inevitáveis ao pensamento e à elaboração do projecto – das questões do território, do património, da legislação, da tipologia e das dinâmicas do habitar contemporâneo.
Motivados pelas diversas acepções que o Muro Amarelo condensa e extravasa, e pelo reconhecimento de inteligibilidade nas coisas aparentemente feias e banais encontradas nesta paisagem transgénica, a nossa linha de actuação aproximou-se do discurso bricoleur: adoptou-se uma postura inquiridora que se desloca, olha e interage com o real, o investiga e nele procura substância para o projecto em curso.
Tendo presente o carácter relativamente permissivo do programa, os ritmos de ocupação esporádica da casa e o lugar pouco convencional onde se implanta, entendeu-se o projecto como uma arquitectura-plataforma agregadora das pessoas que a irão habitar, tendo o duplo papel de proporcionar os espaços que alberguem e promovam as diferentes actividades domésticas e fazendo desta mesma activação, ocupação e vivência dos espaços - interiores e exteriores - a sua própria paisagem, o seu pano de fundo, no sentido contemplativo e dinâmico do termo - o projecto será, portanto, a edificação do espaço-suporte para a actividade humana, expectativa de uma paisagem de acontecimentos.