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O local escolhido para a implantação do Centro de Cerâmica Mural é um terreno que se localiza em São Lázaro, em frente à Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto e ao lado da Biblioteca Municipal, ficando estrategicamente posicionado em relação ao centro histórico do Porto. O contexto extremamente denso e qualificado em que se insere o edifício, num lugar marcado por uma grande diversidade de formas e estilos, foi necessariamente importante na definição da volumetria, sendo esta o resultado ponderado da simplificação e da abstractização das formas da envolvente.
O local escolhido para a implantação do Centro de Cerâmica Mural é um terreno que se localiza em São Lázaro, em frente à Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto e ao lado da Biblioteca Municipal, ficando estrategicamente posicionado em relação ao centro histórico do Porto. O contexto extremamente denso e qualificado em que se insere o edifício, num lugar marcado por uma grande diversidade de formas e estilos, foi necessariamente importante na definição da volumetria, sendo esta o resultado ponderado da simplificação e da abstractização das formas da envolvente.

Interiormente, o edifício divide-se em quatro níveis. No piso inferior, subterrâneo, é onde se organizam as áreas técnicas e privadas; no rés-do-chão, o átrio ocupa o espaço central, à volta do qual se distribuem os espaços de acesso público ou de necessário contacto com a rua; no piso superior organizam-se as salas de exposição; e, por fim, no último piso localizam-se os espaços de formação e trabalho, que incluem a oficina de conservação e restauro.
Interiormente, o edifício divide-se em quatro níveis. No piso inferior, subterrâneo, é onde se organizam as áreas técnicas e privadas; no rés-do-chão, o átrio ocupa o espaço central, à volta do qual se distribuem os espaços de acesso público ou de necessário contacto com a rua; no piso superior organizam-se as salas de exposição; e, por fim, no último piso localizam-se os espaços de formação e trabalho, que incluem a oficina de conservação e restauro.

O gaveto, saliente, surge como tema de projecto ao desenhar a entrada no edifício e ao fazer uma subtil referenciação ao existente, sendo simultaneamente consequente do espaço interior, já que o desfasamento dos volumes cria uma linha de luz rasante na sala de exposições e permite que a oficina ganhe presença volumétrica no exterior, revelando o seu carácter excepcional no edifício.
O gaveto, saliente, surge como tema de projecto ao desenhar a entrada no edifício e ao fazer uma subtil referenciação ao existente, sendo simultaneamente consequente do espaço interior, já que o desfasamento dos volumes cria uma linha de luz rasante na sala de exposições e permite que a oficina ganhe presença volumétrica no exterior, revelando o seu carácter excepcional no edifício.

No alçado da Avenida Rodrigues de Freitas (em baixo), a torção do gaveto procura uma relação de continuidade entre o edifício da Biblioteca Municipal e o palacete do século XIX. No alçado da Rua Visconde de Bóbeda (em cima), a diferenciação material do rés-do-chão dá seguimento ao muro e à base de pedra do edifício da contrastaria, contribuindo para o desenho da rua e da entrada.
No alçado da Avenida Rodrigues de Freitas (em baixo), a torção do gaveto procura uma relação de continuidade entre o edifício da Biblioteca Municipal e o palacete do século XIX. No alçado da Rua Visconde de Bóbeda (em cima), a diferenciação material do rés-do-chão dá seguimento ao muro e à base de pedra do edifício da contrastaria, contribuindo para o desenho da rua e da entrada.

Por se tratar da sala de recepção do edifício, o átrio destaca-se dos restantes espaços e anuncia o próprio programa do edifício, através das peças cerâmicas combinadas em padrão que constituem o pavimento. O brilho e a cor proporcionados pela cerâmica complementam a sobriedade do betão que compõe as paredes, estabelecendo-se, de modo contemporâneo, uma mesma relação de complementaridade já conseguida entre o azulejo e o granito nas construções tradicionais do Porto. O desenho do átrio dá assim resposta a uma necessidade espacial, ao mesmo tempo que faz referência à cerâmica da cidade, contendo em si mesmo as várias camadas históricas que caracterizam a evolução desta arte.
Por se tratar da sala de recepção do edifício, o átrio destaca-se dos restantes espaços e anuncia o próprio programa do edifício, através das peças cerâmicas combinadas em padrão que constituem o pavimento. O brilho e a cor proporcionados pela cerâmica complementam a sobriedade do betão que compõe as paredes, estabelecendo-se, de modo contemporâneo, uma mesma relação de complementaridade já conseguida entre o azulejo e o granito nas construções tradicionais do Porto. O desenho do átrio dá assim resposta a uma necessidade espacial, ao mesmo tempo que faz referência à cerâmica da cidade, contendo em si mesmo as várias camadas históricas que caracterizam a evolução desta arte.

A aparente simplicidade das salas de exposições decorre da necessidade de haver espaços de clara essencialidade, neutros na sua condição de suporte artístico. Na sala de exposições temporárias, o efeito vertical é desconstruído em dois planos através da linha de luz que quebra a rigidez volumétrica da sala e cria um nível de aproximação das pessoas à escala do espaço.
A aparente simplicidade das salas de exposições decorre da necessidade de haver espaços de clara essencialidade, neutros na sua condição de suporte artístico. Na sala de exposições temporárias, o efeito vertical é desconstruído em dois planos através da linha de luz que quebra a rigidez volumétrica da sala e cria um nível de aproximação das pessoas à escala do espaço.

Pelo seu desenho, a oficina de conservação e restauro constitui o espaço nobre de trabalho. A geometria do espaço é marcada pelos três vãos, iguais e rigorosamente distribuídos, que criam uma métrica interna longitudinal, permitindo o acesso aos espaços menores que se organizam ao longo da oficina. Um mesmo ritmo é conferido pelas clarabóias, através das quais se desenha a entrada de uma luz especial, indirecta e uniforme, essencial para a actividade de restauro.
Pelo seu desenho, a oficina de conservação e restauro constitui o espaço nobre de trabalho. A geometria do espaço é marcada pelos três vãos, iguais e rigorosamente distribuídos, que criam uma métrica interna longitudinal, permitindo o acesso aos espaços menores que se organizam ao longo da oficina. Um mesmo ritmo é conferido pelas clarabóias, através das quais se desenha a entrada de uma luz especial, indirecta e uniforme, essencial para a actividade de restauro.

Os detalhes asseguram a qualidade geral da obra e, em última instância, determinam o aspecto final do edifício, ao resolverem questões tão essenciais como o desenho das clarabóias ou a expressão em alçado do volume envidraçado do último piso.
Os detalhes asseguram a qualidade geral da obra e, em última instância, determinam o aspecto final do edifício, ao resolverem questões tão essenciais como o desenho das clarabóias ou a expressão em alçado do volume envidraçado do último piso.




ÍNDICE PROJETO
 
ARQUITECTURA & CERÂMICA
Universidade do Porto

O espaço da tradição mural na contemporaneidade
A cerâmica mural tem, em Portugal, uma longa tradição que está inevitavelmente associada à história da azulejaria, constituindo esta um dos elementos essenciais na definição da cultura portuguesa.
A reflexão sobre a especificidade da cerâmica aplicada e produzida na cidade do Porto serviu de base para uma experiência prática de arquitectura, uma vez que o Porto e outras regiões que lhe são próximas foram pioneiras ou até únicas em determinados momentos da história da azulejaria nacional. Os azulejos em relevo produzidos para as fachadas dos edifícios, ou os azulejos em padrão que revestiram o exterior de igrejas no fim do século XIX, são exemplos do carácter inovador da azulejaria do Norte do país, assim como os revivalismos históricos do início do século XX que dotaram as fachadas da cidade de verdadeiras narrativas a azul e branco.
Apesar da sua história, o Porto carece de um espaço integralmente dedicado à preservação e divulgação desta arte, numa altura em que o interesse internacional pela azulejaria da cidade é crescente; numa altura, também, em que o Porto renova a sua imagem gráfica mostrando o azulejo como símbolo da cidade, e o Museu Nacional do Azulejo em Lisboa prepara a candidatura para o integrar no Património da Humanidade da UNESCO. Apropriando-nos então das palavras do historiador Fausto Martins na conclusão do seu livro Azulejaria Portuense, questionámos: «se o azulejo é signo identificativo, se é marca que nos distingue (...) qual tem sido e qual é a estima do Porto pelo azulejo?».
O projecto desenvolvido pretende dar uma resposta prática a este problema, através de um edifício que reúne espaços de aprendizagem, trabalho e investigação. O edifício proposto localiza-se entre outros tão importantes como a Biblioteca Municipal ou a Faculdade de Belas-Artes, permitindo intercâmbios programáticos, mas exigindo, pela qualidade arquitectónica da envolvente, um grande cuidado de integração no lugar.