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Num país repleto de sinais de uma presença histórica secular, é com algum desapontamento que se constata a crescente degradação e esquecimento do interior, em comparação à ocupação das grandes cidades. Assim, a vontade de intervir num lugar repleto de marcas históricas, mas caído em esquecimento e deixado ao abandono, levou à intervenção arquitetónico ficcionada na Fortaleza de Juromenha. Ao invés de mimetizar as formas pré existentes das outras épocas ou costumes, é de extrema importância perceber se será possível o aproveitamento de algumas, dado o seu elevado grau de degradação e, se possível for, perceber se se poderá atribuir novos usos, no sentido de manter uma coerência de conjunto entre o existente e o que se deseja realizar.
Num país repleto de sinais de uma presença histórica secular, é com algum desapontamento que se constata a crescente degradação e esquecimento do interior, em comparação à ocupação das grandes cidades. Assim, a vontade de intervir num lugar repleto de marcas históricas, mas caído em esquecimento e deixado ao abandono, levou à intervenção arquitetónico ficcionada na Fortaleza de Juromenha. Ao invés de mimetizar as formas pré existentes das outras épocas ou costumes, é de extrema importância perceber se será possível o aproveitamento de algumas, dado o seu elevado grau de degradação e, se possível for, perceber se se poderá atribuir novos usos, no sentido de manter uma coerência de conjunto entre o existente e o que se deseja realizar.

Ao defender a teoria de que a ruína não deveria ser objeto de reforma ou reabilitação e apoiando o pensamento defendido no séc. XVIII por Piranesi, Panini ou outros, pretende-se preservar a maior parte das estruturas em ruína, para que de uma forma poética e melancólica, continue a existir a possibilidade de rememorar.
Ao defender a teoria de que a ruína não deveria ser objeto de reforma ou reabilitação e apoiando o pensamento defendido no séc. XVIII por Piranesi, Panini ou outros, pretende-se preservar a maior parte das estruturas em ruína, para que de uma forma poética e melancólica, continue a existir a possibilidade de rememorar.

Perante a existência de um novo programa, ainda será necessário restaurar as estruturas arruinadas que mantêm suficiente integridade para integrar novas valências. Posto isto, todas as estruturas em ruína à exceção da Cisterna e da Igreja Matriz da Nossa Senhora do Loreto, (que funcionarão como espaços conetantes entre o pré existente e o projeto proposto), serão preservadas sob a forma de ruína, enquanto que as duas estruturas mencionadas serão reabilitadas e integradas no novo programa.
Perante a existência de um novo programa, ainda será necessário restaurar as estruturas arruinadas que mantêm suficiente integridade para integrar novas valências. Posto isto, todas as estruturas em ruína à exceção da Cisterna e da Igreja Matriz da Nossa Senhora do Loreto, (que funcionarão como espaços conetantes entre o pré existente e o projeto proposto), serão preservadas sob a forma de ruína, enquanto que as duas estruturas mencionadas serão reabilitadas e integradas no novo programa.

Pensada como elemento integrante de uma rede, descobre-se que Juromenha pertence à Rota Cultural dos Castelos do Alentejo. Atendendo ao facto de que isso não chega para impedir a sua presente degradação, sugere-se agora outro tipo de inscrição a uma rota totalmente diferente e com grande impacto a nível regional: tenta-se aliar a Fortaleza de Juromenha à Rota dos Vinhos do Alentejo. Sendo esta uma rede constituída por todas as adegas, herdades e cooperativas da região alentejana, é necessário que este novo espaço complemente esta rede através de espaços em falta e diferentes programas associados à adega de modo a sugerir ao viajante a permanência neste lugar, no cimo do outeiro.
Pensada como elemento integrante de uma rede, descobre-se que Juromenha pertence à Rota Cultural dos Castelos do Alentejo. Atendendo ao facto de que isso não chega para impedir a sua presente degradação, sugere-se agora outro tipo de inscrição a uma rota totalmente diferente e com grande impacto a nível regional: tenta-se aliar a Fortaleza de Juromenha à Rota dos Vinhos do Alentejo. Sendo esta uma rede constituída por todas as adegas, herdades e cooperativas da região alentejana, é necessário que este novo espaço complemente esta rede através de espaços em falta e diferentes programas associados à adega de modo a sugerir ao viajante a permanência neste lugar, no cimo do outeiro.

Perante este desafio, surgem associados ao programa da adega os banhos públicos e a vinoterapia. As possibilidades de reanimação deste lugar atendem assim e em suma, à sua localização, estrutura, património natural, paisagístico, construído, histórico-cultural, recursos humanos, funcionalidade, envolvente geográfica, turística e acessibilidade, segundo um plano geral de intervenção que visa a recuperação e restruturação da vila e da Fortaleza de Juromenha.
Perante este desafio, surgem associados ao programa da adega os banhos públicos e a vinoterapia. As possibilidades de reanimação deste lugar atendem assim e em suma, à sua localização, estrutura, património natural, paisagístico, construído, histórico-cultural, recursos humanos, funcionalidade, envolvente geográfica, turística e acessibilidade, segundo um plano geral de intervenção que visa a recuperação e restruturação da vila e da Fortaleza de Juromenha.

Assumindo como premissas de desenho e forma os fatores históricos desde lugar, a adega e os banhos públicos surgem agregados, como programa principal a implementar. Aqui a intervenção não pretende ser foco principal do lugar, mas destina-se a deixar livre o recinto da fortaleza para não iludir a passagem do tempo e a sua evolução. Após várias reflexões teóricas concluiu-se que de modo a dar uma maior liberdade ao programa proposto, deveria desenvolver-se esta parte do programa com o edifício na sua maioria enterrado. Assim, não concorre de forma direta com o que já existe, permitindo que o interior fortificado possa continuar a ser visitado, sem restringir a entrada e possibilitar a deambulação por entre as ruínas.
Assumindo como premissas de desenho e forma os fatores históricos desde lugar, a adega e os banhos públicos surgem agregados, como programa principal a implementar. Aqui a intervenção não pretende ser foco principal do lugar, mas destina-se a deixar livre o recinto da fortaleza para não iludir a passagem do tempo e a sua evolução. Após várias reflexões teóricas concluiu-se que de modo a dar uma maior liberdade ao programa proposto, deveria desenvolver-se esta parte do programa com o edifício na sua maioria enterrado. Assim, não concorre de forma direta com o que já existe, permitindo que o interior fortificado possa continuar a ser visitado, sem restringir a entrada e possibilitar a deambulação por entre as ruínas.

De forma a dar resposta ao programa, o percurso é encenado por uma sequência de espaços definidores de um foyer, auditório, sala das cubas, salas de barricas,banhos de vinho, do páteo e da cisterna. Para além destes espaços mais amplos, fazem parte do percurso da visita a sala de armazenamento de garrafas, a linha de engarrafamento e à superfície, o laboratório e sala de reuniões. A loja e sala de degustação de vinhos localizam-se na Igreja Matriz que funciona como espaço de receção simbolicamente notável. A relação entre o velho e o novo proporcionada pela aproximação entre algumas das ruínas existentes com a matéria nova, irão integrar a nova intervenção na história da Fortaleza de Juromenha.
De forma a dar resposta ao programa, o percurso é encenado por uma sequência de espaços definidores de um foyer, auditório, sala das cubas, salas de barricas,banhos de vinho, do páteo e da cisterna. Para além destes espaços mais amplos, fazem parte do percurso da visita a sala de armazenamento de garrafas, a linha de engarrafamento e à superfície, o laboratório e sala de reuniões. A loja e sala de degustação de vinhos localizam-se na Igreja Matriz que funciona como espaço de receção simbolicamente notável. A relação entre o velho e o novo proporcionada pela aproximação entre algumas das ruínas existentes com a matéria nova, irão integrar a nova intervenção na história da Fortaleza de Juromenha.

De forma a dar apoio ao programa principal e tendo em conta a questão do isolamento rural; o facto de a vila de Juromenha se encontrar muito distante do tecido urbano e a falta de edifícios de apoio a quem vem de fora, são propostos edifícios de habitação. Confrontadas num novo contexto, são implantadas tipologias com um ou dois quartos, enquadradas na estrutura da malha existente da vila. De forma a coserem-se naturalmente ao pré existente, optou-se por utilizar uma reduzida complexidade no sistema construtivo. Assim, estas tipologias de um piso de forma a garantirem a fácil acessibilidade, são dominantemente em taipa – sistema construtivo utilizado tanto na fortaleza, nas habitações pré existentes e em todo o Alentejo.
De forma a dar apoio ao programa principal e tendo em conta a questão do isolamento rural; o facto de a vila de Juromenha se encontrar muito distante do tecido urbano e a falta de edifícios de apoio a quem vem de fora, são propostos edifícios de habitação. Confrontadas num novo contexto, são implantadas tipologias com um ou dois quartos, enquadradas na estrutura da malha existente da vila. De forma a coserem-se naturalmente ao pré existente, optou-se por utilizar uma reduzida complexidade no sistema construtivo. Assim, estas tipologias de um piso de forma a garantirem a fácil acessibilidade, são dominantemente em taipa – sistema construtivo utilizado tanto na fortaleza, nas habitações pré existentes e em todo o Alentejo.




ÍNDICE PROJETO
 
O IMAGINÁRIO DO LUGAR
Universidade de Lisboa -
Faculdade de Arquitectura

Intervenção na Fortaleza de Juromenha como contributo para a sua regeneração
“As ideias que as ruínas despertam em mim são grandes. Tudo está destruído, tudo perece, tudo passa. Não há mundo que reste. Não há tempo que dure. É velho este mundo! Eu caminho entre duas eternidades”. (Denis Diderot, 1818), tradução livre
Banhada pelas margens do Guadiana e localizada no Alto Alentejo, surge como um testemunho do passado a Fortaleza de Juromenha. Trata-se de um legado de valores patrimoniais e identitários inquestionáveis – uma praça-forte de um dos sistemas defensivos mais importantes do distrito de Évora e de defesa a Lisboa. Hoje, longe do seu auge, encontra-se em ruínas.
À vista da sua localização excêntrica, acredita-se que a sua integração num percurso ou numa rota cultural seja fundamental para suspender o presente estado de degradação da fortaleza, que se vem agravando com o passar do tempo. Visto já estar inserida na Rota dos Castelos do Alentejo e ainda assim continuar a apresentar-se neste
estado precário, houve uma necessidade de ir por outros caminhos. Assim, o desafio seria inserir a fortaleza numa rota com um programa diferente, com maior componente turística, que em paralelo com a valência cultural possa despertar a curiosidade dos viajantes e de algum modo contribua para a regeneração da Fortaleza de Juromenha.
A reabilitação do uso será potênciada pela inclusão do conjunto fortificado na Rota dos Vinhos do Alentejo e pela reconfiguração funcional a partir de um programa de uso do vinho, seja enquanto ideia cultural, seja enquanto recurso endógeno suporte de uma atividade turística. Para o efeito, projeta-se um conjunto edificado do qual farão parte uma adega, banhos públicos, uma torre de acesso periférica e duas pré existências suscetíveis de recuperar: a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Loreto e a cisterna. Acredita-se que esta intervenção intramuros, com o apoio de um conjunto de alojamento proposto para a vila, proporcione um benéfico crescimento do número de visitantes e novos residentes, e que na sua génese seja uma base de regeneração da Fortaleza e vila de Juromenha.