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O projecto deseja efetuar um exercício de intervenção sobre o aterro portuário de Lisboa, debruçando- se simbolicamente na zona do Vale de Santos. Uma área entre a linha-de-comboio e o rio, à margem de uma cidade consolidada, que resulta do afastamento da linha de costa para a instalação de infraestruturas portuárias e posterior alargamento viário e ferroviário. Apesar de privilegiada pela sua localização, foi sendo conduzida ao abandono pelo declínio das atividades portuárias transformando-se num perpétuo espaço expectante. Ainda assim, não deixa de ter um potencial enorme para estabelecer ligações com a malha da cidade e o rio que a flanqueia.
O projecto deseja efetuar um exercício de intervenção sobre o aterro portuário de Lisboa, debruçando- se simbolicamente na zona do Vale de Santos. Uma área entre a linha-de-comboio e o rio, à margem de uma cidade consolidada, que resulta do afastamento da linha de costa para a instalação de infraestruturas portuárias e posterior alargamento viário e ferroviário. Apesar de privilegiada pela sua localização, foi sendo conduzida ao abandono pelo declínio das atividades portuárias transformando-se num perpétuo espaço expectante. Ainda assim, não deixa de ter um potencial enorme para estabelecer ligações com a malha da cidade e o rio que a flanqueia.

A proposta limita-se apenas à zona do Vale de Santos – após as barreiras da 24 de Julho e linha-de-comboio: terra de ninguém, um espaço adormecido e de relações cortadas mas repleto de história tornando-se imperativo refletir sobre ele, caracterizar e reclamá-lo para o domínio da cidade. Pretende-se celebrar o que este lugar tem de melhor para oferecer – o rio, a água e o sol - , a cidadania e o bem-estar. Um lugar com escala para receber milhares de pessoas, obrigando a uma ligação transversal com a cidade e de acessibilidade privilegiada.
A proposta limita-se apenas à zona do Vale de Santos – após as barreiras da 24 de Julho e linha-de-comboio: terra de ninguém, um espaço adormecido e de relações cortadas mas repleto de história tornando-se imperativo refletir sobre ele, caracterizar e reclamá-lo para o domínio da cidade. Pretende-se celebrar o que este lugar tem de melhor para oferecer – o rio, a água e o sol - , a cidadania e o bem-estar. Um lugar com escala para receber milhares de pessoas, obrigando a uma ligação transversal com a cidade e de acessibilidade privilegiada.

A primeira vontade, foi a de transformar o espaço num grande terraço coloquial - um espaço de índole pública e de relação entre as pessoas, Lisboa e o Tejo - contíguo a um equipamento público plurivalente que oferecesse a viabilidade de nos relacionarmos corpo-a-corpo com o rio. Neste sentido, as piscinas desportivas e lúdicas, emergem como programa congruente, ideólogo e pragmático. Num primeiro ensejo, opera-se a escavação no aterro - esculpindo-o para se conseguir criar as piscinas. Assim como o traçado linear dos aterros se impôs sobre a antiga e irregular linha de costa, um novo desenho se sobrepõe a toda a plataforma de cota zero.
A primeira vontade, foi a de transformar o espaço num grande terraço coloquial - um espaço de índole pública e de relação entre as pessoas, Lisboa e o Tejo - contíguo a um equipamento público plurivalente que oferecesse a viabilidade de nos relacionarmos corpo-a-corpo com o rio. Neste sentido, as piscinas desportivas e lúdicas, emergem como programa congruente, ideólogo e pragmático. Num primeiro ensejo, opera-se a escavação no aterro - esculpindo-o para se conseguir criar as piscinas. Assim como o traçado linear dos aterros se impôs sobre a antiga e irregular linha de costa, um novo desenho se sobrepõe a toda a plataforma de cota zero.

Vista da “nave principal”, um espaço aberto ao público, luminoso e com capacidade de receber milhares de pessoas.
Vista da “nave principal”, um espaço aberto ao público, luminoso e com capacidade de receber milhares de pessoas.

O projeto é então desenhado para este lugar, alimentando-se da sua própria matéria, integrando a geografia do território como parte constituinte da construção. Uma sequência de piscinas vocacionadas para prática desportiva, alinham-se no último plano de escavação, apontando para o local onde o Ribeiro do vale de Santos encontrava o Tejo. Enquanto isso, a piscina lúdica ocupa a plataforma que entra no rio, anulando a sua presença, numa intenção de subtração da sua massa, devolvendo esse pedaço de “terra”, à agua. Nesta operação, a construção das piscinas é encarada não somente como resposta às questões funcionais, mas também como pretexto para o desenho de uma nova definição de espaço público.
O projeto é então desenhado para este lugar, alimentando-se da sua própria matéria, integrando a geografia do território como parte constituinte da construção. Uma sequência de piscinas vocacionadas para prática desportiva, alinham-se no último plano de escavação, apontando para o local onde o Ribeiro do vale de Santos encontrava o Tejo. Enquanto isso, a piscina lúdica ocupa a plataforma que entra no rio, anulando a sua presença, numa intenção de subtração da sua massa, devolvendo esse pedaço de “terra”, à agua. Nesta operação, a construção das piscinas é encarada não somente como resposta às questões funcionais, mas também como pretexto para o desenho de uma nova definição de espaço público.

Vista do tanque de treinos, dedicado a atletas federados: um espaço intimista, sóbrio e sereno, iluminado ao centro pelo espelho d´água da praça à superfície.
Vista do tanque de treinos, dedicado a atletas federados: um espaço intimista, sóbrio e sereno, iluminado ao centro pelo espelho d´água da praça à superfície.

Secção de um corte construtivo, Esquissos à mão dos diversos espaços e diferentes perspectivas da nave principal (bancadas e piscina olímpica).
Secção de um corte construtivo, Esquissos à mão dos diversos espaços e diferentes perspectivas da nave principal (bancadas e piscina olímpica).




ÍNDICE PROJETO
MENÇÃO HONROSA
ÁGUA SOBRE ÁGUA
Universidade de Lisboa -
Faculdade de Arquitectura

Intervenção Urbana na Frente Ribeirinha de Santos
O exercício de intervenção debruça-se simbolicamente na zona do Vale de Santos e Água sobre Água ganha forma através do desenvolvimento prático de uma proposta contemporânea que reclama o seu lugar enquanto marco na fachada ribeirinha, apresentando ainda assim, uma arquitectura relacional, de partilha e cruzamento.
O presente ensaio propõe lançar bases para um discurso crítico acerca da crescente degradação da frente ribeirinha de Lisboa e do divórcio que há muito se instalou entre esta cidade e o rio. Com a construção do porto industrial no final do século XIX, a fisionomia de Lisboa, bem como a sua relação com o Tejo que sempre foi tão próxima, viu-se drasticamente alterada. Torna-se imperativo refletir sobre os espaços expectantes resultantes desta separação enquanto lugares de oportunidade, que reclamados para o domínio da cidade, constituem verdadeiros instrumentos de regeneração urbana.
O exercício de intervenção debruça- se simbolicamente na zona do Vale de Santos e Água sobre Água ganha forma através do desenvolvimento prático de uma proposta contemporânea que reclama o seu lugar enquanto marco na fachada ribeirinha, apresentando ainda assim, uma arquitectura relacional, de partilha e cruzamento. Inicia-se assim o estudo da água enquanto elemento preponderante na formação de espaço público e desenvolvimento das cidades, explorando o potencial e vertentes relacionais deste elemento na arquitetura.
Uma área entre a linha-de-comboio e o rio, à margem de uma cidade consolidada, que resulta do afastamento da linha de costa para a instalação de infraestruturas portuárias e posterior alargamento viário e ferroviário. Apesar de privilegiada pela sua localização, foi sendo conduzida ao abandono pelo declínio das atividades portuárias transformando-se num perpétuo espaço expectante. Desta forma, a primeira vontade, foi a de transformar o espaço num grande terraço coloquial - um espaço de índole pública e de relação entre as pessoas, Lisboa e o Tejo - contíguo a um equipamento público plurivalente que oferecesse a viabilidade de nos relacionarmos corpo-a-corpo com o rio. Neste sentido, as piscinas desportivas e lúdicas, emergem como programa congruente, ideólogo e pragmático.