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Os Vazios Urbanos do Alto da Ajuda são lugares detentores de uma temporalidade desfasada da cidade e o seu potencial é imenso se pensarmos que constituem bolsas de oxigénio numa metrópole sufocada e saturada. Ao invés de negar e absorver estes vazios, edificando e preenchendo, procura-se uma abordagem que rompa a barreira impermeável que contém estas bolsas de oxigénio, integrando estes espaços novamente na vivência quotidiana da urbe, não por via da sua ocupação e da sua negação, mas pela devolução à cidade da memória colectiva e da ausência que representam, transformando-os em espaços públicos qualificados.
Os Vazios Urbanos do Alto da Ajuda são lugares detentores de uma temporalidade desfasada da cidade e o seu potencial é imenso se pensarmos que constituem bolsas de oxigénio numa metrópole sufocada e saturada. Ao invés de negar e absorver estes vazios, edificando e preenchendo, procura-se uma abordagem que rompa a barreira impermeável que contém estas bolsas de oxigénio, integrando estes espaços novamente na vivência quotidiana da urbe, não por via da sua ocupação e da sua negação, mas pela devolução à cidade da memória colectiva e da ausência que representam, transformando-os em espaços públicos qualificados.

A elaboração de uma série de pequenas maquetes de gesso constituíram, a par do desenho, um importante instrumento de pesquisa conceptual e morfológica. As peças mono-materiais, sólidas e compactas, tanto representam o cheio, limite contentor, como o molde do espaço, do conteúdo imaterial e espaço protagonista - o Vazio.
A elaboração de uma série de pequenas maquetes de gesso constituíram, a par do desenho, um importante instrumento de pesquisa conceptual e morfológica. As peças mono-materiais, sólidas e compactas, tanto representam o cheio, limite contentor, como o molde do espaço, do conteúdo imaterial e espaço protagonista - o Vazio.

Dos cinco volumes dispersos e desconexos da actual Faculdade são somente mantidas as duas alas longitudinais que irão construir, juntamente com os volumes propostos, o perímetro contentor de um vazio central. O programa articula-se, em grande parte, no interior dessas paredes-limite que conformam o grande pátio interior, e que constituem um importante elo que liga interiormente todas as partes do programa.
Dos cinco volumes dispersos e desconexos da actual Faculdade são somente mantidas as duas alas longitudinais que irão construir, juntamente com os volumes propostos, o perímetro contentor de um vazio central. O programa articula-se, em grande parte, no interior dessas paredes-limite que conformam o grande pátio interior, e que constituem um importante elo que liga interiormente todas as partes do programa.

O pátio, vazio delimitado lateralmente, é uma caixa vazia sem tampa, aberta para o céu. Configura uma delimitação de céu única, desenhada pelos limites do pátio - do vazio. Essa porção da abóbada celeste que completa a redoma é a face que falta para completar a caixa que nos contém, e torna-se nossa pertença. Consequência do vazamento conceptual do volume maciço e sólido, o pátio vira costas ao ruído visual exterior e constitui-se como o silêncio onde o som da paisagem natural sobressai. A faculdade torna-se, assim, a caixa arquitectónica destapada – uma caixa cujo conteúdo se vai, progressivamente, revelando.
O pátio, vazio delimitado lateralmente, é uma caixa vazia sem tampa, aberta para o céu. Configura uma delimitação de céu única, desenhada pelos limites do pátio - do vazio. Essa porção da abóbada celeste que completa a redoma é a face que falta para completar a caixa que nos contém, e torna-se nossa pertença. Consequência do vazamento conceptual do volume maciço e sólido, o pátio vira costas ao ruído visual exterior e constitui-se como o silêncio onde o som da paisagem natural sobressai. A faculdade torna-se, assim, a caixa arquitectónica destapada – uma caixa cujo conteúdo se vai, progressivamente, revelando.

Olhando sobre o rio Tejo e sobre a cidade de Lisboa, a Faculdade de Arquitectura situa-se sobre um pódio natural adjacente à extensão verde da floresta de Monsanto, de onde a nossa vista pode alcançar o imponente Palácio da Ajuda e o rio Tejo. Em cada um dos nós do perímetro edificado estabelece-se uma forte relação com a paisagem envolvente.
Olhando sobre o rio Tejo e sobre a cidade de Lisboa, a Faculdade de Arquitectura situa-se sobre um pódio natural adjacente à extensão verde da floresta de Monsanto, de onde a nossa vista pode alcançar o imponente Palácio da Ajuda e o rio Tejo. Em cada um dos nós do perímetro edificado estabelece-se uma forte relação com a paisagem envolvente.

A relação visual com a mancha arbórea de Monsanto foi uma importante premissa no desenvolvimento da proposta. Na ala Nascente encontra-se o momento magistral de enquadramento cénico e bucólico da paisagem. A vegetação florestal e a ampla vista do rio Tejo irrompem na imagem interior do pátio, através da grande abertura que se rasga no vértice Sul da ala Nascente.
A relação visual com a mancha arbórea de Monsanto foi uma importante premissa no desenvolvimento da proposta. Na ala Nascente encontra-se o momento magistral de enquadramento cénico e bucólico da paisagem. A vegetação florestal e a ampla vista do rio Tejo irrompem na imagem interior do pátio, através da grande abertura que se rasga no vértice Sul da ala Nascente.

O edifício proposto procura assumir uma imagem exterior estereométrica - uma arquitectura do pódio, maciça, pétrea e pesada. Os painéis pré-fabricados de betão que revestem todo o perímetro exterior do volume pretendem materializar esta ideia. O interior revela, porém, uma materialidade e natureza diferentes e contrastantes. O revestimento metálico perfurado que cobre as faces interiores recortadas do vazio, confere ao espaço uma ideia etérea e luminosa, que não se faz adivinhar a quem vislumbra somente o exterior do edifício.
O edifício proposto procura assumir uma imagem exterior estereométrica - uma arquitectura do pódio, maciça, pétrea e pesada. Os painéis pré-fabricados de betão que revestem todo o perímetro exterior do volume pretendem materializar esta ideia. O interior revela, porém, uma materialidade e natureza diferentes e contrastantes. O revestimento metálico perfurado que cobre as faces interiores recortadas do vazio, confere ao espaço uma ideia etérea e luminosa, que não se faz adivinhar a quem vislumbra somente o exterior do edifício.

O desenho, como método de projecto, desempenhou um papel preponderante e indispensável no desenvolvimento do projecto. Foi o desenho que conduziu a procura da forma, não só como exercício de abstracção mas, também, como um processo de construção mental, recíproco e simultâneo, entre mente e papel. À semelhança de uma maquete de estudo que se constrói descomprometidamente e sem uma ideia prévia de forma, o desenho surge assim, no processo criativo da proposta, como um conjunto de maquetes mentais errantes, que indagam a forma de um modo livre.
O desenho, como método de projecto, desempenhou um papel preponderante e indispensável no desenvolvimento do projecto. Foi o desenho que conduziu a procura da forma, não só como exercício de abstracção mas, também, como um processo de construção mental, recíproco e simultâneo, entre mente e papel. À semelhança de uma maquete de estudo que se constrói descomprometidamente e sem uma ideia prévia de forma, o desenho surge assim, no processo criativo da proposta, como um conjunto de maquetes mentais errantes, que indagam a forma de um modo livre.




ÍNDICE PROJETO
MENÇÃO HONROSA
CONSTRUIR O VAZIO
Universidade de Lisboa -
Faculdade de Arquitectura

Ampliação da Faculdade de Arquitectura
A Faculdade de Arquitectura proposta pretende constituir-se como a tábua rasa que se opõe à complexidade da pré-existência. A construção do imaterial, da qual resulta o Vazio silencioso onde apenas ecoam as imagens do rio, da floresta e da cidade.
O vazio surge na Arte como a renúncia do artista às convenções do mundo exterior. Na cidade, é um espaço de possibilidades e expectativas, a memória inefável de uma presença que já não existe - à margem da vivência quotidiana da urbe - onde o tempo estancou. Na arquitectura, o vazio é o protagonista, o espaço contido e o vácuo onde decorre a nossa vivência.

Em suma, o vazio é a consumação da tábua rasa que desafia a nossa capacidade criativa e que nos remete para uma liberdade em relação às ideias pré-estabelecidas de determinado contexto espaçotemporal. O presente trabalho constitui o resultado de uma reflexão teórica sobre a temática do vazio - no contexto da Arte, da Cidade e da Arquitectura – que suporta e se materializa no projecto da Ampliação da Faculdade de Arquitectura, situada na Ajuda.

O edifício proposto para a faculdade constitui-se como um sólido corpo paralelepipédico, um pódio pétreo e maciço, vazado no seu interior e contendo um grande pátio comum – o Vazio. O pátio é o Vazio construído pelos limites edificados da sólida muralha, que se deixa pontualmente perfurar e que enquadra cenicamente imagens precisas da paisagem do Alto da Ajuda - como o rio Tejo, a floresta de Monsanto ou o Palácio da Ajuda.

A imagem compacta e coesa que transmite exteriormente desmaterializa-se na fachada interior do pátio onde as faces do sólido vazado se revestem de uma nova materialidade, enunciando uma diferente ideia espacial. Pretende-se que a nova Faculdade de Arquitectura proposta, espaço de aprendizagem da Arquitectura, se constitua como a tábua rasa, sobre a qual emergirá a potencialidade criativa de todos os alunos.

Como metodologia de projecto, o desenho assumiu um papel preponderante na estruturação do pensamento arquitectónico, enquanto exercício de abstracção e de tradução visual do pensamento.