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Contexto Urbano e Conceito Gerador da Proposta O Vale-Parque Todoroki é um espaço verde com características excepcionais em Setagaya-Ku, ao não se assemelhar a nenhuma outra Natureza nos diversos centros de Tóquio. Para além deste Vale ser considerado um espaço simbólico pelos japoneses, principalmente pelos residentes de Tóquio, este é um espaço que faz parte do seu quotidiano. Pelas suas características únicas o Vale é eleito como um dos cenários favoritos para relaxar e caminhar. Os diversos percursos-ligações e câmaras que constituem o Centro de Interpretação são distribuídos ao longo do Vale. Assim, contribuem não só para a maior eficiência do novo sistema proposto, como também permitem estabelecer uma leitura e relação mais profunda e completa com a Natureza do Vale.
Contexto Urbano e Conceito Gerador da Proposta O Vale-Parque Todoroki é um espaço verde com características excepcionais em Setagaya-Ku, ao não se assemelhar a nenhuma outra Natureza nos diversos centros de Tóquio. Para além deste Vale ser considerado um espaço simbólico pelos japoneses, principalmente pelos residentes de Tóquio, este é um espaço que faz parte do seu quotidiano. Pelas suas características únicas o Vale é eleito como um dos cenários favoritos para relaxar e caminhar. Os diversos percursos-ligações e câmaras que constituem o Centro de Interpretação são distribuídos ao longo do Vale. Assim, contribuem não só para a maior eficiência do novo sistema proposto, como também permitem estabelecer uma leitura e relação mais profunda e completa com a Natureza do Vale.

Princípio de Intervenção e Caracterização do Rio Tanizawa A partir da intenção de se criar um sistema definiu-se um princípio indispensável para a sua concepção – conectar o Vale interiormente e exteriormente. Existe uma grande variedade tipológica de ligações e de efeitos que podem produzir na percepção do indivíduo. Percursos interiores, exteriores, à superfície, subterraneamente, uns públicos, outros de acesso mais controlado. Podem ainda se estabelecer ligações não-físicas simbólicas, espirituais e funcionais. Ao longo do Vale, o Rio apresenta variações não só na sua largura, profundidade e fluxo, como também na relação-interação perceptual que estabelece com o indivíduo nos percursos e momentos que o pontuam. Estes momentos podem ter um carácter mais informal, como o atravessamento do Rio, ou serem marcados por pontos de permanência ou câmaras.
Princípio de Intervenção e Caracterização do Rio Tanizawa A partir da intenção de se criar um sistema definiu-se um princípio indispensável para a sua concepção – conectar o Vale interiormente e exteriormente. Existe uma grande variedade tipológica de ligações e de efeitos que podem produzir na percepção do indivíduo. Percursos interiores, exteriores, à superfície, subterraneamente, uns públicos, outros de acesso mais controlado. Podem ainda se estabelecer ligações não-físicas simbólicas, espirituais e funcionais. Ao longo do Vale, o Rio apresenta variações não só na sua largura, profundidade e fluxo, como também na relação-interação perceptual que estabelece com o indivíduo nos percursos e momentos que o pontuam. Estes momentos podem ter um carácter mais informal, como o atravessamento do Rio, ou serem marcados por pontos de permanência ou câmaras.

Câmara-Banho dos Pés Para além do carácter simbólico que a água tem no Vale, de acordo com o seu significado na cultura japonesa, este é um elemento dominante em todo o Vale, com diversos impactos na percepção do indivíduo e ao nível funcional. Esta câmara têm em conta um hábito de purificação do quotidiano japonês – os banhos de pés – uma prática essencialmente de carácter religioso, conciliando a meditação e o lazer à fruição do Vale.
Câmara-Banho dos Pés Para além do carácter simbólico que a água tem no Vale, de acordo com o seu significado na cultura japonesa, este é um elemento dominante em todo o Vale, com diversos impactos na percepção do indivíduo e ao nível funcional. Esta câmara têm em conta um hábito de purificação do quotidiano japonês – os banhos de pés – uma prática essencialmente de carácter religioso, conciliando a meditação e o lazer à fruição do Vale.

Câmara-Observatório O Vale é um dos locais de excelência em Tóquio para a observação de aves, razão pela qual também é conhecido como o santuário das aves. Para além de se puderem observar aves nativas do Japão, muitas destas espécies produzem sons considerados tradicionais na cultura japonesa. No Vale Todoroki existem duas naturezas com características distintas, mas que se complementam – uma em estado mais natural, onde existe maior concentração de fauna e outra completamente transformada. Este contraste marca ainda relações distintas que o indivíduo pode estabelecer com cada uma destas Naturezas; uma mais indicada para a exploração e observação da fauna e flora, no seu estado mais natural (câmara-observatório ) e a outra mais propícia para a meditação e contemplação.
Câmara-Observatório O Vale é um dos locais de excelência em Tóquio para a observação de aves, razão pela qual também é conhecido como o santuário das aves. Para além de se puderem observar aves nativas do Japão, muitas destas espécies produzem sons considerados tradicionais na cultura japonesa. No Vale Todoroki existem duas naturezas com características distintas, mas que se complementam – uma em estado mais natural, onde existe maior concentração de fauna e outra completamente transformada. Este contraste marca ainda relações distintas que o indivíduo pode estabelecer com cada uma destas Naturezas; uma mais indicada para a exploração e observação da fauna e flora, no seu estado mais natural (câmara-observatório ) e a outra mais propícia para a meditação e contemplação.

Câmara-Degustação Propõe-se uma interpretação e fruição sensorial do Vale-Parque transversal aos cinco sentidos. Ao longo do ano os elementos do Vale vão-se modificando, nomeadamente as suas cores, cheiros e texturas. Na construção de espaços mais sensitivos produzidos pela Natureza é de salientar o espaço paliativo que algumas das espécies de flora identificadas podem produzir, nomeadamente o bambu e a laranjeira iyokan. A câmara-degustação, que se localiza junto de um jardim de bambu, reforça a possibilidade de se ter, aquilo a que os japonese denominam, uma relação completa com a Natureza ( do Vale ), completada pelo sentido do palato – a experiência de estar a comer bambu a olhar para o jardim de bambu que se encontra no exterior.
Câmara-Degustação Propõe-se uma interpretação e fruição sensorial do Vale-Parque transversal aos cinco sentidos. Ao longo do ano os elementos do Vale vão-se modificando, nomeadamente as suas cores, cheiros e texturas. Na construção de espaços mais sensitivos produzidos pela Natureza é de salientar o espaço paliativo que algumas das espécies de flora identificadas podem produzir, nomeadamente o bambu e a laranjeira iyokan. A câmara-degustação, que se localiza junto de um jardim de bambu, reforça a possibilidade de se ter, aquilo a que os japonese denominam, uma relação completa com a Natureza ( do Vale ), completada pelo sentido do palato – a experiência de estar a comer bambu a olhar para o jardim de bambu que se encontra no exterior.

Câmara-Audioteca A criação de uma dimensão sensitiva expressa e acentua a relação do indivíduo com um sistema transcendente a si, no espaço e no tempo. É importante ter isso em conta no acto de projectar e adicionar novas qualidades ao chamado espaço sensitivo japonês. A câmara-audioteca possibilita ao indívíduo uma interpretação gradual do Vale através de uma sequência de espaços sonoros, térmicos e visuais que acentuam a sua experiência sensitiva, ao mesmo tempo que compatibilizam estética com a função – água a correr no espaço-cor [1./3.]; relacionar sons artificiais a uma imagem parcial (sombra), ou a imagens artificiais (projecção de imagens e/ou vídeo) [5.]; associar ao som a sua imagem parcial [6.]; associar aos sons do Vale as suas imagens reais [7./8.].
Câmara-Audioteca A criação de uma dimensão sensitiva expressa e acentua a relação do indivíduo com um sistema transcendente a si, no espaço e no tempo. É importante ter isso em conta no acto de projectar e adicionar novas qualidades ao chamado espaço sensitivo japonês. A câmara-audioteca possibilita ao indívíduo uma interpretação gradual do Vale através de uma sequência de espaços sonoros, térmicos e visuais que acentuam a sua experiência sensitiva, ao mesmo tempo que compatibilizam estética com a função – água a correr no espaço-cor [1./3.]; relacionar sons artificiais a uma imagem parcial (sombra), ou a imagens artificiais (projecção de imagens e/ou vídeo) [5.]; associar ao som a sua imagem parcial [6.]; associar aos sons do Vale as suas imagens reais [7./8.].

Ligações/Conexões Internas – Câmara-Audioteca As primeiras duas conexões semi-interiores na imagem resultam de uma situação presente no local – concentração de pedras de grandes dimensões – e da exploração das suas potencialidades, sobretudo sensoriais. A inspiração da Natureza nesta proposta pretende combinar a forte relação estética que a arquitectura tradicional japonesa tem com a Natureza e com a relação puramente funcional da arquitectura das formigas, derivada do seu comportamento-lugar. Essa relação é visível no Projecto, por exemplo através da exploração do padrão solo em ambas as arquitecturas . Ao utilizar o washi [papel produzido a partir de bambu] na iluminação (artificial) do espaço, pretende.se não só recuperar parcialmente a memória da experiência o espaço tradicional japonês, como também incentiva a continuidade desta técnica tradicional.
Ligações/Conexões Internas – Câmara-Audioteca As primeiras duas conexões semi-interiores na imagem resultam de uma situação presente no local – concentração de pedras de grandes dimensões – e da exploração das suas potencialidades, sobretudo sensoriais. A inspiração da Natureza nesta proposta pretende combinar a forte relação estética que a arquitectura tradicional japonesa tem com a Natureza e com a relação puramente funcional da arquitectura das formigas, derivada do seu comportamento-lugar. Essa relação é visível no Projecto, por exemplo através da exploração do padrão solo em ambas as arquitecturas . Ao utilizar o washi [papel produzido a partir de bambu] na iluminação (artificial) do espaço, pretende.se não só recuperar parcialmente a memória da experiência o espaço tradicional japonês, como também incentiva a continuidade desta técnica tradicional.

Câmaras-Administração, Recepção, Meditação Preservação e Investigação de Flora Apesar de estas quatro câmaras se interligarem também ao nível do subterrâneo e se complementarem funcionalmente, estas são independentes umas das outras e funcionam de modo autónomo. Da mesma forma que todo o edifício tradicional japonês se vira para o jardim, à excepção das áreas de serviço, pretende-se preservar essa relação tradicional essencial com a Natureza. Assim, são criadas apenas as aberturas que permitem criar ligações com elementos específicos, à semelhança do que acontece na arquitectura das formigas, para a interpretação do Vale. Também existem aberturas no interior das câmaras que estabelecem relações visuais entre os seus componentes, podendo ainda estar associadas a aberturas para o exterior acentuando a expansão e ambiguidade espaciais.
Câmaras-Administração, Recepção, Meditação Preservação e Investigação de Flora Apesar de estas quatro câmaras se interligarem também ao nível do subterrâneo e se complementarem funcionalmente, estas são independentes umas das outras e funcionam de modo autónomo. Da mesma forma que todo o edifício tradicional japonês se vira para o jardim, à excepção das áreas de serviço, pretende-se preservar essa relação tradicional essencial com a Natureza. Assim, são criadas apenas as aberturas que permitem criar ligações com elementos específicos, à semelhança do que acontece na arquitectura das formigas, para a interpretação do Vale. Também existem aberturas no interior das câmaras que estabelecem relações visuais entre os seus componentes, podendo ainda estar associadas a aberturas para o exterior acentuando a expansão e ambiguidade espaciais.




ÍNDICE PROJETO
VENCEDOR
VALE‐PARQUE TODOROKI_CENTRO INTERPRETATIVO
Universidade de Lisboa -
Faculdade de Arquitectura

Sistemas Vivos_Sistemas Padronizados orientados à Tradição e Inovação no Japão
O projecto reflecte a intenção de produzir uma solução que responde a necessidades locais através da criação de um sistema vivo. Este traduz-se de forma mais abstracta numa rede mutável composta por sistemas padronizados interconectados produzida a partir do sistema espacial da arquitectura tradicional japonesa.
Os sistemas vivos na arquitectura e no urbanismo é um tema que surge associado a espaços que estão em constante mutação. As unidades da cidade não devem ser pensadas como organismos isolados, devendo-se conectar ao resto da cidade e vivendo de tudo o que a envolve e percorre.

O projecto reflecte a intenção de produzir uma solução que responda a necessidades sociais e funcionais do lugar – Vale-Parque Todoroki, Tóquio – através da criação de um sistema vivo. O princípio de concepção desta rede de ligações em diferentes escalas é conectar o Vale internamente e exteriormente, permitindo assim assegurar o funcionamento em rede e ter maior eficiência.

Foi adoptada uma metodologia com três sistemas padronizados diferentes, que se reconhecem, orientados à compatibilização da inovação com a tradição no Japão – sistema-lugar e dois sistemas arquitectónicos: o tradicional japonês (sistema base) e o animal-formigas, possibilitando assim o entendimento sobre duas arquitecturas, que embora sejam distintas podem estabelecer entre si interacções de simbiose e serem aplicadas em arquitectura.

Optou-se por uma arquitectura subterrânea, integrada que se adapta ao meio físico, preservando as qualidades singulares do lugar, com uma Natureza também ela totalmente artificializada.

Todavia, estabelece diferentes ligações com a superfície e com os sistemas analisados – ligações físicas e não-físicas. Esta proposta conceptual traduz-se numa nova urbanidade que está não só contextualizada com o actual desenvolvimento espacial do subterrâneo japonês, como também procura estar em concordância com a simbologia que esse tipo de espaço tem na cultura japonesa.

O programa específico é o Centro de Interpretação do Vale. O programa proposto pretende acompanhar os utilizadores num processo de interpretação do ambiente – uma interpretação mais perceptual e fluida pelo Vale, a partir dos percursos e daquilo que se pode aceder a partir deles, conduzida pelas actividades formais e informais propostas – contemplação, meditação, degustação, educação e preservação.